quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

[HISTÓRIA: FUTEBOL:ALAGOAS] PERDIGÃO, Lautheney. DEPOIMENTOS PARA A HISTÓRIA: Alfredo Ramires Bastos




 
Esta matéria foi publicada no tablóide Contexto do jornal Tribuna Independente, Maceió, na edição de  4 de Setembro de 2011

Um bilhete sobre  futebol em Alagoas
Luiz Sávio de Almeida






  
     




























Lautheney Perdigão é um sujeito notável. Entende de futebol, entende de sua história nas Alagoas, e conta desde os primeiro jogos na Rua do Arame. Sua vida foi juntar coisas e peças, escrever aqui e ali, publicar seus livros e deixar um copioso registro, além de ter participado do divertidíssimo Ora Bolas, um programa de humor sobre o esporte e que faz parte da melhor fatia da história das emissoras de Alagoas. Ele será um assíduo colaborador, pela parceria que  Contexto, manterá com O Museu do Esporte que Lautheney criou e teima em manter vivo. É uma honra  contar com sua colaboração.

Hoje, estreando sua participação na equipe que existe por detrás do nome ContextoLautheney nos recorda a participação do Dr. Alfredo Ramires na vida esportiva de Alagoas;  Dr. Alfredo é um dos nomes que a torcida do Centro Sportivo Alagoano jamais poderá esquecer. Eu mesmo, como legítimo torcedor do quase-ex-CRB, baixo a cabeça e aproveito a oportunidade para dar um grande abraço no Dr. Alfredo. Por outro lado, aproveito para novamente dizer da minha admiração pelo Lautheney e, também, que espero o milagre de sua conversão, pois um dia será torcedor do Galo de Campina, o fantástico time do jogo da Sofia que o jogo do Xaxado nem de leve arranhou.

Fico pensando nas tardes de domingo, no Mutange e na Pajuçara, bem antes de existir o Trapichão. Qual teria sido a principal transformação vivida pelo pé na bola alagoano? Para mim, o registro é fácil: a queda do CRB e do CSA como os representantes de nosso poderio futebolístico. O capital decidiu sustentá-lo em outros locais, como Arapiraca, Porto Calvo... Talvez por isso mesmo, o texto do Lauthenay pareça estar tão distante, inclusive, pela revelação que faz sobre um tipo de futebol que deve ter desaparecido.




                               Alfredo Ramires e voleibol: técnico da Fênix


Hino do CSA

        

Pela pátria, na vida esportiva
É que vamos sempre conquistar
Nossa glória da luta deriva
É o campeão dos campeões CSA

Azulinos impávidos e fortes
Enfrentemos os nossos rivais
Nosso time não tem adversários
Não seremos vencidos jamais

Centro Sportivo Alagoano
No Mutange eterno vencedor
Se tremulas a tua bandeira
Alvi-celeste é com amor


Centro Sportivo Alagoano
No Mutange eterno vencedor
Se tremulas a tua bandeira
Alvi-celeste é com amor

Centro Sportivo Alagoano
No Mutange eterno vencedor
Se tremulas a tua bandeira
Alvi-celeste é com amor

Nesse anseio infinito de glória
Esse Centro Sportivo não tem
A vaidade que é sempre ilusória
E que nunca elevou à ninguém

Vamos todos em busca das vitórias
Com o coração na ponta das chuteiras
União e Força CSA
Azul e Branco a vida inteira

Centro Sportivo Alagoano
No Mutange eterno vencedor
Se tremulas a tua bandeira
Alvi-celeste é com amor
 
              





DEPOIMENTOS PARA A HISTÓRIA: Alfredo Ramires Bastos
Lautheney Perdigão


Lautheney Perdigão, o azulino


          Alfredo Ramiro Bastos nasceu no dia 25 de fevereiro de 1923. Formou-se em Medicina em 1948, na Universidade de Recife e se especializou em cardiologia. Também fez curso de especialização em Medicina do Trabalho. Foi professor atuante de Medicina na UFAL, Chefe do Departamento Médico da Clínica Médica do Hospital Universitário e do Serviço Médico da Salgema. Foi treinador do Centro Sportivo Alagoano e médico da Seleção Alagoana. Foi campeão pelo clube azulino no ano de 1952 e no tetracampeonato de 1955 a 1958. Também treinou as equipes de voleibol do Bonfim, CSA e Fênix. Foi campeão pela Fênix e, pelo CSA, conquistou I Jogos Abertos de Voleibol da FADA.
          Existem treinadores que a torcida e o dirigente acreditam que dão sorte. Talvez este seja o caso do Dr. Alfredo Ramiro Bastos. Sempre foi um técnico vencedor, um homem capaz de levar seus comandados a vitórias sensacionais e seu clube a títulos memoráveis. Um desportista que aliava seus conhecimentos técnicos à liderança e à amizade que tinha com os jogadores. Seu grande trunfo era ser um comandante único. Ele treinava, orientava, escalava e comandava seu time sem ajuda de ninguém. Dr. Alfredo era um treinador diferente, um homem enérgico, líder, corajoso, leal e com muita moral. Um técnico que deixou seu nome gravado na história do Centro Sportivo Alagoano.

A formação profissional
          Alfredo Ramiro Bastos é de família tradicionalmente azulina. Seu irmão, Dr. Carlos Ramiro Bastos, chegou a ser Presidente do Centro Sportivo Alagoano. Por isso, logo cedo ele foi levado para jogar nos juvenis do clube azulino. Entretanto, sem muito jeito para praticar o futebol, resolveu parar antes mesmo de começar. Apenas participou de algumas peladas no tempo do colégio. Preferiu os estudos e terminou seu curso de Medicina.
          Quando regressou a Maceió, recém-formado foi logo consultado sobre a possibilidade de aceitar ser Presidente do Centro Sportivo Alagoano. O convite foi recusado. Dr. Alfredo não se achava com qualificações, com o gabarito e a experiência para ser Presidente de um clube como o CSA. Esse conhecimento significou o enfoque para que o jovem médico iniciasse uma atenção toda especial para as atividades do seu clube e também do próprio futebol Alagoano.
A iniciação no CSA

   Foi Segismundo Cerqueira, diretor do CSA, quem começou a levá-lo ao Mutange para observar os treinamentos da equipe azulina. Assim, ele começou a se entrosar com o grupo. Um dia, Dr. Alfredo se descobriu treinador do clube. Foi quase incessível. Segismundo, que treinava o CSA junto com Palito, ex-goleiro do clube, foi aos poucos cedendo seu lugar. Em dado momento, lá estava Dr. Alfredo junto com Palito dirigindo o time azulino. Aliás, a dupla contrastava pela altura. Palito era magro e alto; Dr. Alfredo, baixo e forte.
          Houve momento em que ele já treinava o time e outras pessoas o ajudavam, mas desde o dia em que começou a sentir a responsabilidade de comando da equipe, deixou bem claro que ele seria o treinador único. Existem técnicos que são treinadores, contudo não são comandantes. Dr. Alfredo teve que optar por uma técnica melhor ou um comando único. Ficou definido comandante único. Não iria admitir interferência de ninguém. Ele gostava da expressão “comandante”. Não se considerava um técnico, e sim, um comandante. Aos poucos foi adquirindo conhecimentos técnicos e começou a se desenvolver. Mandar sozinho foi um fator preponderante para ele vencer e o time ser campeão.
          Dr. Alfredo dirigia o time principal e o aspirante. Isso facilitava seu trabalho, porque ele manuseava as duas equipes, utilizando-se, quando necessário, dos jogadores dos aspirantes que eram escalados no time principal sem problemas. As duas equipes jogavam dentro do mesmo sistema e estavam todos sempre jogando. Os aspirantes jogavam nas preliminares do time principal e o CSA chegou a ser hexacampeão alagoano.
          Sua estreia oficial como treinador do CSA aconteceu no dia 5 de agosto de 1952, em uma partida realizada na Pajuçara pelo Campeonato Alagoano contra o Ferroviário. O clube da Rede Ferroviária estava formando uma grande equipe que, nos dois anos seguintes, seria bicampeão. O jogo era muito importante para Dr. Alfredo que sentia uma grande responsabilidade diante da torcida azulina. As lembranças estavam bem vivas para o técnico azulino, principalmente pelas mudanças no marcador: Ferroviário 2x0. CSA 3x2. Ferroviário 3x3 e CSA 4x3. Nesse dia, Dida marcou quatro gols para o time do Dr. Alfredo. A vitória foi um estímulo e um conforto. O time jogou bem e soube sair de um marcador adverso para uma vitória sensacional.

O congraçamento no esporte

       Depois do jogo, Zequito Porto, falando com Segismundo Cerqueira, parabenizava-o pela bela exibição do CSA. Naquele instante, Segismundo foi muito sincero e leal. Ele disse para Zequito que todos os elogios deveriam ser para Dr. Alfredo, o verdadeiro e único responsável pelo sucesso do time do Mutange. Para o comandante dos azulinos, aquilo era gratificante, porque ele sempre considerou Zequito Porto como a maior autoridade do futebol Alagoano, e Dr. Alfredo não poderia deixar de registrar a importância de Zequito na sua participação dentro do futebol. Nas seleções alagoanas, um era o técnico e o outro o médico. Nesse convívio, havia muita conversa, principalmente sobre o futebol, suas táticas e suas técnicas. Tudo aquilo transformou os dois em verdadeiros amigos cuja amizade perdurou até os últimos dias do Zequito.

          Dr. Alfredo já era comandante do time do CSA e, por isso, observava com atenção as instruções dadas por Zequito aos jogadores da Seleção. Era uma maneira diferente daquele que aprendera com Segismundo Cerqueira. Este era um técnico exclusivamente de campo. Zequito reunia essas qualidades e acrescentava a de psicólogo. Mostrava aos jogadores como se colocar em campo, como se defender e atacar. Seu time era bem distribuído e ocupava todos os espaços do campo. Tudo era observado e anotado por Dr. Alfredo e foi de grande utilidade para quando ele retornou ao CSA. Começou a compreender a necessidade da teoria no futebol. Mandou buscar livros que comentavam sobre táticas e técnicas no futebol. Quando grandes equipes do futebol brasileiro jogavam em Maceió, e ele gostava de conversar com seus treinadores para aprender sempre mais.

O gosto pelo teórico

Com o passar do tempo, Dr. Alfredo foi se transformando, de certa forma, em um teórico. Chegou a dominar razoavelmente bem a técnica do futebol. Como comandante, ele considerava-se mais um técnico teórico do que propriamente um treinador prático e tático. Sua grande dificuldade, em determinado momento da partida, era transformar seus conhecimentos técnicos quando tinha que alterar o sistema de jogo da sua equipe. Apesar disso, não deixava transparecer a seus comandados qualquer indecisão de sua parte.

A Sofia e o Xaxado: 4 a 0


Aspirantes de 1953




          Xaxado era a música do momento e com os jogadores do CSA jogando dentro do gramado da Pajuçara e a torcida azulina batendo palmas e gritando Xaxado, Dr. Alfredo viveu um momento de grande emoção no futebol. O jogo era contra o CRB em 1952. Foi um verdadeiro "olé". Jamais se pensou em desrespeitar o adversário. Aquele era o dia do CSA. Tudo dava certo e para Dr. Alfredo era gostoso observar o passeio que os atletas do velho rival estavam levando naquela tarde de 21 de setembro. O CRB comemorava mais um aniversário e o CSA ofereceu o baile. Nesse jogo, aconteceu uma coisa curiosa. Por incrível que pareça, Dr. Alfredo não sabia do caso da Sofia, aquele jogo em que o CRB goleou o CSA por 6x0 em 1939 e, até os dias de hoje, o CSA não conseguiu fazer o mesmo placar. Quando no jogo do Xaxado o marcador marcava 4x0, a torcida começou a pedir mais. Entretanto, ninguém o advertiu que havia uma Sofia atravessada na garganta dos azulinos. Os jogadores azulinos queriam fazer a bola correr de pé em pé, sem se preocupar em fazer mais gols. Muitos foram perdidos. Apesar de não conseguir os 6x0, outra exibição daquela vai ser difícil de acontecer em um campo de futebol.
A força bruta de King
          



 Um dos jogadores mais discutidos do plantel do CSA, na época, era King. Jogava nos aspirantes e muitas vezes era aproveitado no time principal, chegando mesmo a disputar um campeonato inteiro como titular.  Apesar de ser chamado de “grosso”, King sabia fazer gols, muitos gols. Tecnicamente era fraco. Contudo, uma bola lançada em profundidade à frente de King era meio gol. Não era veloz, mas sua robustez, pela sua massa muscular enorme que fazia do centroavante um bloco de músculo, dificilmente era derrubado. Dr. Alfredo gostava de utilizar King no segundo tempo dos jogos. O ataque do CSA era formado por jogadores leves, habilidosos que gostavam de tabelar, driblar. Durante quarenta e cinco minutos, a defesa adversária ficava sentindo a leveza, os dribles, os toques. Quase que não havia o corpo a corpo. No segundo tempo, entrava King e as coisas mudavam. Os zagueiros passavam a serem assediados, molestados. Eles sentiam a diferença e ficavam preocupados com o atacante azulino. King entrava duro, forte, dividia e dificultava as rebatidas dos adversários.

E a luz sumiu



CSA = Campeão 1953 Em pé: Dr. Alfredo. Neu. Joab. Zanélio. Almir. Paulo Mendes. Napoleão e Edezio Leitão. Agachados: Ítalo. Sued. Dida. Netinho e Géo.
                A rivalidade entre CSA e CRB atravessa os anos e todos que passaram pelos dois clubes sentiram de perto fortes emoções e também algumas decepções. Certa vez, Dr. Alfredo fez uma coisa que se fosse hoje não faria. Por isso, ele fez questão de contar o acontecido. Foi em um clássico CSA e CRB que começou atrasado e terminou mais atrasado ainda por falta de energia no campo do Mutange. Naquele tempo, os jogos eram disputados com bola alaranjada. À noite, essas bolas eram pitadas de branco, que com o passar dos minutos, a tinta ia saindo e a redonda não ficava branca nem amarela. O CSA vencia por 1x0 e ficou na defesa para garantir o resultado. O CRB foi todo para o ataque. A iluminação era deficiente. O goleiro azulino passava por dificuldades por causa da bola e dos refletores. Os dirigentes do CSA pediam para a Federação trocar a bola e não eram atendidos. Quando Dr. Alfredo sentiu que as coisas estavam pretas e o CRB podia empatar a qualquer momento, usou de um expediente nada correto.
Chamou Seu Antônio, que tomava conta do Mutange, e ordenou: desligue as luzes e desapareça.  O pai do Peu, que obedecia cegamente ao Dr. Alfredo, não pensou duas vezes. Foi até a Casa de Força e desligou os refletores. Ninguém percebeu o que aconteceu. Todos pensavam que tinha havido um problema com a Força e Luz, hoje Ceal. Com o jogo paralisado, houve tempo para conversar com o árbitro, trocar a bola, esfriar a reação do CRB e acertar alguns detalhes com os jogadores do CSA. Quando Dr. Alfredo achou que estava tudo em ordem, a energia voltou, os refletores voltaram a funcionar, o jogo continuou e o clube azulino manteve o resultado. Dias depois, quando a diretoria do CSA soube o que realmente tinha acontecido, não gostou da atitude do Dr. Alfredo, principalmente Napoleão Barbosa.

A amizade acima de tudo

          Apesar da grande rivalidade, aconteceram casos que mostram que uma grande amizade pode passar por cima de tudo. Dr. Alfredo tinha em Zequito Porto um grande amigo. Um comandante do CSA; outro, treinador do CRB. Além da amizade, existia muita confiança entre os dois. Um exemplo disso está nesse detalhe. Dario Marsiglia, que jogava pela meia esquerda do CRB e era o grande craque do clube da Pajuçara, estava contundido. Era a semana que antecedia o clássico. Zequito levou Dario para Dr. Alfredo curá-lo. Ele trabalhou a semana toda para que o atacante ficasse bom do tornozelo. No dia do jogo, já no campo, Dr. Alfredo, técnico do CSA, enfaixou o pé do Dario e ele jogou normalmente. Esse não foi um caso isolado. Muitos outros jogadores alvirubros eram enviados ao consultório do Dr. Alfredo.
          Depois da conquista do campeonato de 1952, Dr. Alfredo foi aos Estados Unidos para fazer um estágio a fim de aprimorar seus conhecimentos na cardiologia. Quando regressou, voltou ao CSA para conquistar o primeiro tetracampeonato da história do clube azulino. Revendo as fotos dos quatro campeonatos, Dr. Alfredo não destacou nenhuma. Todas foram boas, cada uma dentro da sua temporada. O ambiente foi sempre o mesmo. Havia grandes jogadores, porém a disciplina estava acima de tudo e foi um dos fatores mais importantes para se conquistar o campeonato quatro vezes. A cada título era uma emoção. No esporte, não tem coisa melhor do que sair vencedor em uma competição.
          Dr. Alfredo nunca teve problema com seus comandados. A indisciplina violenta o esporte. Por isso, ganhava a disciplina de seus atletas com exemplo de assiduidade, pontualidade, esforço e boa vontade para resolver os problemas particulares de seus comandados. Dr. Alfredo recebia os atletas e seus familiares no seu consultório sem receber nenhum tostão. Com suas atitudes simples, franca e firmes deixavam os jogadores à vontade e conquistava a amizade e o respeito de todos.

A entrada de Dida no CSA

          Foi Dr. Alfredo quem levou Dida para o CSA. Um dia um jogador chamado Penedo e que atuava nos aspirantes do CSA, convidou o seu treinador para assistir a um jogo de pelada na Praça da Cadeia. Lá jogava um garoto endiabrado chamado Dida. As jogadas do jovem atleta impressionaram Dr. Alfredo, que logo que terminou a pelada, procurou Dida e lhe perguntou se queria jogar no CSA. Dida bem que gostaria, mas ia depender da permissão de seus pais. O médico-técnico não perdeu tempo. Foi junto com Dida até sua casa para conversar com Seu Jaime. Ficou acertado que o CSA, nos dias de treinos e jogos, mandaria um carro para pegar Dida e depois trazê-lo de volta para sua casa, além de pagar seus estudos.
 Na mesma semana, o futuro craque já estava no Mutange como titular da equipe azulina. Muita gente estranhou aquele menino franzino no time principal. Todavia, em uma das primeiras jogadas do treino, Edgar lançou uma bola para área. Dida suspendeu a perna direita, matou a bola lá em cima e quando ela desceu, chutou violentamente de pé esquerdo para o gol dos reservas. Estava ali o jogador que Dr. Alfredo precisava. Ali estava o malabarista, o artista e o futuro campeão do mundo.
          No domingo, o CSA jogaria contra o Auto Esporte, vice campeão do ano anterior e uma das boas equipes do campeonato. Dida foi regularizado às pressas para jogar no domingo. Sua escalação foi uma surpresa para muita gente. Segismundo Cerqueira, que não tinha ido aos treinos do CSA, achava que Dr. Alfredo estava louco. Escalar um garoto para um jogo tão importante. Afinal, Dida era desconhecido e nem tinha passado pelos aspirantes. Depois da partida, com uma excelente atuação, Dida calou a boca dos descrentes. Dida, como todo artista, tinha sentimentos delicados, tinha uma forma toda especial de ser conduzido e, nesse aspecto, parecia frágil, mas não era. Jogava valentemente contra duros zagueiros.
          No início da década de cinquenta, Dr. Alfredo foi médico da Seleção Alagoana e participou de duas memoráveis partidas. Em 1952, contra os sergipanos no famoso jogo dos 163 minutos. Jogo disputado no Mutange e que, além da vitória nos noventa minutos, os alagoanos tiveram que disputar duas prorrogações de trinta minutos e o gol alagoano que definiu nossa classificação veio aos treze minutos da terceira prorrogação. Neste jogo, três fatores decidiram a nossa vitória: disciplina, bom nível técnico dos jogadores e preparo físico. A outra partida aconteceu em 1954 contra os paraibanos. Alagoas perdia de 3x1 e virou o marcador para 4x3 com Dida fazendo dois golaços. Foi o jogo que levou Dida para o Flamengo. Na virada, valeu a raça e a vontade de vencer dos alagoanos. Quando serviu à Seleção Alagoana, Dr. Alfredo era médico e Zequito Porto era o técnico. Foi um período de muito aprendizado para o técnico do CSA. Era muito observador e tirava proveito de tudo de bom que via nas preleções, nas mudanças táticas da seleção durante o jogo e o comportamento de todos. Dr. Alfredo que sempre foi um comandante sério e um técnico teórico habilitou-se a ser um vencedor. O mesmo sucesso também se repetiu no esporte amador quando foi treinador de voleibol.
          Por tudo de bom que aconteceu com ele, valeu a pena ser um comandante no esporte. As amizades que conquistou, as emoções pelas muitas vitórias que viveu e pelo aprendizado que recebeu, Dr. Alfredo agradece ao esporte, hoje, aos 88 anos de idade.

[BANCO DE IMAGEM:CIDADE: CEMITÉRIO: IGREJA NOVA: ALAGOAS] ALMEIDA, Luiz Sávio de. O cemitério de Igreja Nova



Igreja Nova: Paisagem: Cemitério







O texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas.






  

Os cemitérios tendem a ficar em parte alta. O de Igreja Nova está bem acima do Boasica, lugarque foi famoso pelo arroz que era produzido. Hoje Igreja Nova é praticamente orfã do arroz.  Esta foto procurando uma documentação panorâmica da cidade, foi tirada, praticamente, do lugar  onde fica o cemitério.









Todo branco, como também é em Piranhas, guarda o mortos rioos e pobres da terra.  Um sinal de vida é a  carroça escorada em sua calçada, como se fosse porto e algum vivente cansado houvesse jogado âncora. A frente parece um estranho forte e a casa colorida ao fundo deve ter sido testemunho de inúmeras passagens de caixão.


 








[BANCO DE IMAGENS: PESSOAL: VIAGEM COM ALUNOS] ALMEIDA, Luiz Sávio de. Uma viagem pelo sertão e pelas beiras do São Francisco.

Pessoal: Viagem: Alunos: Rio São Francisco

O texto foi elaborado no regresso da viagem.




     Este é um pequeno documentãrio sobre uma viagem realizada com amigos, todos eles meus alunos da discplina Formação do Espaço de Alagoas, no Mestrado Dinâmicas do Espaço Habitado., Universidade Federal de Alagoas.  Sempre tive o maior carinho por  eles e merecem. Eu queria que vissem o sertão, coisa meio abandonada e partimos para uma viagem de três dias, parando aqui e ali. Os trabalhos começariam em Traipu. Gostaríamo de sentir as cidades, andar por carroçáveis e conversar com pessoas que poderiam ser consideradas como marginalizadas: prostitutas, homosexuais...



     Chegamos em Traipu e uma parte saiu para fotografias e papos; outra ficou comigo para uma entrevista com um homosexual, uma prosttiuta e um pescador.  É este grupo  de alunos que aparece nas fotografias a seguir. Como essas pessoas iriam se ver naquele espaço, naquela construção social? Eu gostaria  que tivessem um contato direto, gostaria que sentissem mais o drama  humano do que um traçado a simbolizar uma geometria. Quem sabe eu recuperaria em campo, o sentimento que desejava passar nas aulas? 






 
Estas são cenas de um bom almoço, na beira do rio. Ainda foi servido surubim. Raro o restaurante na beira do rio, que o forte seja peixe não  sanfranciscano. A tilápia manobra. 















Após o almoço, fomos ver os trabalho da Secretaria de Cultura






 Outras cenas de viagem:  não me lembro a igreja, penso que é a de São Braz





















Hotel em Propriá






















Casa funerária em Igreja Nova: acho que dei uma bela aula de como se morre sem deixar de ser bonita. A modelo é da minha primoteca, fiha do Regis da Tia Ione e do Tio Lauro. O engraçado é que a dissertação dela será sobre cortejos fúnebres em Maceió e o trabalho de conclusão do curso dela foi sobre cemitérios.




















[BANCO DE IMAGEM: RIO DE SÃO FRANCISCO: CARRAPICHO: SERGIPE] ALMEIDA, Luiz Sávio de. Mais um pouco sobre Carrapicho



 



O texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas.



                                                                                            
                               turismosergipe.net



E mais uma vez aparece foto de Carrapicho. Foi na volta. O pessoal subiu. Resolvi ficar. Uma imensa dor de cabeça. Não sei a razão, mas sou fascinado por esta casa que fica na subida. Quem a teria construído?  
Ela não é tão antiga assim, mas também não é tão nova. Na certa quem a fez, não imaginava o quanto de gente iria passar no seu oitão ou por sua frente. Quem sabe,  pensava que o tempo ficaria detido nas cores de suas janelas? O cara buscava simetria e eu acho que as janelas estão altas demais. Será?






Ao lado dela, nada parece com ela. São construções que viram dois mundos em andamento e, portanto, duas Carrapichos. Já li sobre Carrapicho no século XIX e não sei em quem. Será um dos vajantes ou será Halfed? Alguma coisa mudou em Carrapicho? Na certa que sim. O volume da cerâmica não deve ser o mesmo de meu tempo de menino. Eu ía comprar boi de barro, num pedaço da feira de Penedo que era reservado para potes e panelas. Hoje estão barracas de artesanato. Na minha cabeça ficou que era perto do Hotel dos Navegantes. Mas isso não é mais Carrapicho: é Carrapicho em Penedo.


A gente do Carrapicho faz do rio um pouco de tudo. O menino brinca e aponta alguma coisa. As pedras são no porto; o lagedo deve continuar rio a dentro, obrigando a uma curva lá pelos lados da ilha para fazer o caminho seguro do porto. Não se vê marola: não  ventava. O avermelhado da roupa marca um violento contrastate com o azulaverdejado. Seria um menino peixe? Um menino jacaré? Anfíbio não  resta dúvida.



É uma mistura de tudo: cavalo, menino e mulher. Embaixo, um nada construído. Será preciso dizer que sujam-lavam roupas ou seria melhor admitir que o critériodo sujo e do limpo varia? A bacia de alumínio foi embora. Plástico. 






Será que vai levar a roupa para Penedo?  Será que pegou um lavado de roupa? Pode ser preconceito meu, achando que pobre não pode ter roupa.  Elas protegem a cabeça.  Protegem a vida?

[BANCO DE IMAGENS: RIO DE SÃO FRANCISCO: CREPÚSCULO] O Rio São Francisco e o crepúsculo


Alagoas: Paisagem: Crepúsculo: Rio São Francisco: 2009

O texto de comentário sobre as fotografias está da mesma forma em que foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando repassávamos  as  imagens e selecionávamos as que, realmente, desejávamos guardar.



O Rio São Francisco e o crepúsculo

Luiz Sávio de Almeida




Poucos sentiram a bela sensação de que anoitece e que o Rio de São Francisco não vai e não pode dormir. Nenhum rio dorme e nem mesmo os filetes d'água ou riachos, que são rios meninos e adolecentes conseguem dormir. A gente do rio continua a mexer nas entranhas, como os pescadores que jogam suas redes. Está chegando a hora de parar. Fica perigoso, nada mais se vê. Ainda estamos longe de Traipú, onde desejávamos dormir. Quem sabe a gente fique no primeiro povoado que aparecer e ele será na margem de Sergipe? O barqueiro não poderá ver o que tem por frente, mesmo que sejam acesos os faróis.  Os olhos da lancha são os barqueiros. Onde pararemos?




Para navegar, é preciso estar muito atento. Não é que o São Francisco seja um rio traiçoeiro, mas é que é preciso conhecer bem os trechos e são anos de aprendziado. Uma coisa é ficar por ali nas bandas da foz e e outra bem diferente é subir depois do Penedo e, especialmente quando, depois de Traipu se vai aos poucos para as bandas de Piranhas. Então, é melhor parar. Tenho poucas notícias de lanchas que afundaram aqui no São Francisco.  Mas elas afundam sim. Quando eu era menino, ouvi muito falar de uma lancha que afundou na travessia do Penedo para a Pasagem. Morreu foi gente. Na minha cabeça, ficou a desastrosa imagem das piranhas devorando os afogados. Construíram em mim, um pavor exorbitante: as piranhas eram símbolo do mal. Lembro perfeitamente da primeira que vi.




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

[BANCO DE IMAGEM: CIDADE: PORTO REAL DO COLÉGIO: ALAGOAS] ALMEIDA, Luiz Sávio de. Um pouco do Porto Real do Colégio.



O texto sobre as fotografias está da forma como foi redigido em campo,  logo após ter sido tirada a foto ou depois, à noite, quando as imagens do dia eram repassadas.




Um pouco do Porto Real do Colégio





Foto 1

Um dos pequenos portos do Colégio e a lancha sempre colorida que faz o Sao Francisco. É bem antes do ponto onde estava o antigo colégio dos jesuítas e que deu, em parte, o nome do lugar. Á esquerda, o que parece ter sido uma beneficiadora de arroz e mais além, a torre da igreja matriz. O que me chama mesmo atençao, é a quantidade de janelas amarelas  da lancha.


Foto 2


Aqui, estamos bem perto da igreja e do ponto em que D. Pedro II desembarcou. Os fundos de casa ainda parecem ter medo do rio. Nao existia uma rua da praia em orto Real do Colégio. Será que estou dizendo a verdade? Acho que sim. Nada parece ter se engrampado ladeira acima. Falam que o colégio dos jesuítas fica no lugar da atual Casa Paroquial.


Foto 3


Deve ser o fundo da  Casa Paroquial. Nao anotei corretamente. Que vergonha!



Foto 4

Eis o começo da cara da igreja matriz. A Casa Paroquial está à esquerda.  Tá na cara que a Igreja sofreu inúmeras reformas. A sua posiçao é rara. Nao fica de frente para a Praça. O rio deveria ser mais importante para o santo do altar ficar vendo.  Ou será que o colégio era uma tripa estreita?




Foto 5

A cidade ao longe, pegando a antiga Rua dos Índios. Ao fundo, escondida, está uma lagoa e a esquerda em pouco começará a Aldeia dos Kariri-Xocó.