domingo, 8 de janeiro de 2012

[HISTÓRIA: FUTEBOL: ALAGOAS] Lautheney Perdigão. DEPOIMENTO para a história: IB Gatto




  _______________________________________


PERDIGÃO, Lautheney.  DEPOIMENTO para a história: IB Gatto. O Jornal, Maceió, Espaço, 8 jan. 2012

_______________________________________________________________________


Um pequeno bilhete sobre futebol

         Novamente Contexto azulou; Lautheney não perdoa. A proporção do que ele produz é de cinco para o CSA e um para o CRB.  Não tenho mais o que fazer. Capitulo. Viva o CSA. Na década de vinte, contava o meu bom tio Cícero de Almeida, que moleque de seus dez anos de idade, pegou um pedaço de arame, conseguiu fazer um garrancho com o nome do CSA, esquentou e queimou o peito, marcando-se de azulino.  Coitado do meu tio: falta de juízo e de gosto. Naquele tempo, a molecoreba dizia na praça 1º de Maio, segundo a minha mãe (era CRB) contava rindo:

CSA tava doente,
CRB foi visitá.
CSA pediu dinheiro
P’ra comprá de ceará.

Minha vingança é pequena, Lautheney. Para contrabalançar o seu azulinismo, Contexto vai estampar a gloriosa partitura do hino do CRB, música de Tavares de Figueiredo e letra do Professor Jayme de Altavilla. A cópia me foi dada por seu filho, do mesmo nome, e Presidente do Instituto Histórico. Professor Jayme,  esta é a segunda vez que o senhor me ajuda a defender nosso timão.

Sávio de Almeida



DEPOIMENTO para a história: IB Gatto

Lautheney Perdigão


          Em seu depoimento para o Museu dos Esportes, Dr. Ib Gatto mostrou uma memória realmente fantástica. Contou histórias. Narrou fatos. Comentou sobre dirigentes, jogadores e árbitros. Foram duas horas de palestra agradável, alegre, descontraída e bem humorada. O Museu dos Esportes é um repositório vivo da história da terra, dos homens, da gente, dos fatos, dos problemas e dos acontecimentos esportivos.  Dr. Ib Gatto começou contando que quando era Secretário de Planejamento no Governo de Lamenha Filho, projetou e fez a estrutura para o Museu da Imagem e do Som de Alagoas. Infelizmente, fatores  extras impediram que tudo aquilo que foi planejado não fosse materializado. E ficou feliz com tudo que viu no Museu dos Esportes Edvaldo Alves Santa Rosa.

Um pouco sobre a história do futebol alagoano

          Voltando no tempo,  ele fala sobre os bons momentos do amadorismo em Alagoas.  Eram rapazes modestos que sabiam defender com amor,  a camisa do clube. Os mais estabilizados,  ajudavam aos mais carentes. O problema era arranjar emprego para eles. Quando havia uma excursão, as delegações tinham um sentido social. Eram recebidas pelos governadores e autoridades. Chegava a haver uma exigência de traje muito alinhado e elegante. Como as comunicações eram difíceis, as delegações eram um acontecimento. Havia preparação de dias e até meses. O cargo de dirigente era disputado muitas vezes e destinado a desportistas de responsabilidade.

          Em 1947,  o Centro Sportivo Alagoano realizou uma temporada vitoriosa em Fortaleza. O clube alagoano jogou três vezes. Venceu duas e empatou uma. A viagem foi feita em um avião anfíbio que saiu da Lagoa Mundaú,  na Levada. Em Fortaleza,  o avião desceu no Aeroporto do Cocorote. No Ceará,  havia uma tradição de que nenhum clube visitante saia invicto dos gramados cearenses. E para não deixar que isso acontecesse valia tudo. O CSA derrotou o Fortaleza no primeiro jogo por 2x1,  com um gol de Oscarzinho e outro de Ariston. A torcida não acreditava no que via e a imprensa cearense colocava em manchetes de jornais que tinha sido “zebra”. Na segunda partida,  contra o Ferroviário,  houve um empate de 1x1,  com Chimbé marcando o gol alagoano. A despedida foi contra o Ceará Sporting. Além de campeão, o clube tinha o maior ídolo do futebol cearense chamado Charutinho. A torcida e a imprensa comentavam que o craque iria acabar com o cartaz do CSA. No jogo, quem mostrou que era craque de verdade foi o nosso zagueiro Miguel Rosas. Ele deu um nó em Charutinho que terminou sendo substituído e os alagoanos venceram por 1x0, gol de Ariston.

No campo de jogo terminou tudo bem. Acontece que Dr. Ib passou por maus momentos depois que a partida terminou. No Estádio se encontravam o Governador, o comandante regional e um grande amigo do Dr. Ib, o comandante do Batalhão do Exercito, Coronel Heitor Carneiro da Cunha que estava acompanhado do Major Fontana. Como as coisas começaram a esquentar Dr. Ib procurou o Coronel para pedir ajuda.
 Logo que terminou o jogo, toda delegação alagoana se dirigiu rapidamente para as arquibancadas afirmando que ia homenagear o Governador. A verdade é que Dr. Ib levou seus comandados para junto do Coronel Heitor. Chegou a haver uma tentativa de agressão a algumas pessoas ligadas a delegação alagoana, mas o Coronel Heitor botou ordem na casa e aos gritos fez com que o policiamento desse cobertura aos  azulinos. Um fato interessante aconteceu quando ainda quando a delegação do CA estava em Fortaleza.
Serviu para mostrar como era o futebol amador da sua época. Como os azulinos não perderam os dois primeiros jogos Dr. Ib ficou preocupado com os comentários da imprensa e da torcida que não queriam deixar o CSA voltar a sua terra invicto. Por isso, não queria que seus atletas saíssem para passear. Quando chamou o treinador, Antonio Bráulio já havia tomado as providências e levou o Dr. até os quarto dos jogadores. Bráulio havia recolhido todos os paletós dos atletas. E naquela época, eles não saiam do Hotel sem paletó.

CSAXCRB

          Um assunto muito comentado foi a rivalidade entre CSA e CRB. Para Dr. Ib, o alagoano sempre gostou do futebol e os jogos entre azulinos e alvirubros chegava a ter uma certa hostilidade. O povo se dividia. Garota que torcia pelo CSA não namorava o rapaz que gostava do CRB e vice versa. Houve a época, nos anos vinte, que os clubes fizeram grandes contratações. O CRB contratou grandes atletas que atuavam pela seleção baiana. Pirina e Popó eram as grandes figuras.
Popó chegou a tomar banho de champagne francês na sede do CRB que ficava na Rua do Comercio, no andar superior onde estava instalada as Lojas Singer. O CSA contratou menos. Trouxe Geraldo e Osvaldo. Tudo para uma disputa de melhor de três e a partida final quase não foi realizada por falta de acordo para o arbitro. E Dr. Ib,  mostrando como era o futebol naquela época,  afirmou que tudo ficou resolvido quando indicaram um nome: Álvaro Peixoto. Ele era presidente do Centro Sportivo Alagoano. Isso aconteceu em 1923.

          Dr. Ib era ainda muito garoto quando assistiu suas primeiras partidas de futebol em Maceió. Ele acompanhou jogos na Praça Centenário que era chamada de campo do Jacutinga. No Prado, onde hoje é a Pecuária e fica na Avenida Siqueira Campos. Lá havia um Hipódromo. Na parte central do Hipódromo havia um campo de futebol onde foram realizadas partidas memoráveis. E Dr. Ib não poderia esquecer o campo do Mutange que surgiu no inicio dos anos vinte. O terreno era de Aristeu Teixeira Bastos, filho do Comendador Teixeira Bastos, um português rico, dono das fabricas de Fernão Velho, Rio Largo e Cachoeira. Aristeu era engenheiro e foi ele quem construiu as primeiras arquibancadas de madeira do Mutange. Aos sábados, domingos e feriados, dirigentes, jogadores e torcedores iam ao local para transformar aquele terreno em um campo de futebol. Quando o presidente do CSA era Paulo Pedrosa, o terreno foi comprado por 18 contos de reis. Dr. Ib concluiu lembrando que as arquibancadas de cimento armado e a primeira iluminação no Mutange foi um trabalho do presidente Benicio Monte em 1950.O Colégio Diocesano.

          Na época de estudante, Dr. Ib viu no Colégio Diocesano, hoje Marista, um verdadeiro celeiro de craques. Grande parte dos atletas do CSA e do CRB estudava naquele Colégio. Zequito Porto, Edgar Duarte, Machadinho, Tininho, Waldemar Ribeiro Lins e tantos outros. Aliás, sobre o Waldemar Ribeiro Dr. Ib fez boas referências. Era um grande ponta, esquerda que jogava no Vera Cruz. Esse Vera Cruz era um clube formado por estudantes. Eles compravam todo seu material e o presidente era o professor Lavenere Machado. Pedrinho que foi um dos maiores jogadores do futebol alagoano também jogava no Vera Cruz e era aluno do Liceu Alagoano.

Outros campeões

          As lembranças chegam aos anos quarenta quando entre 1945 a 1948 nem CSA nem CRB foram campeões alagoanos. Santa Cruz, duas vezes, Alexandria e Barroso foram os clubes que ficaram com os títulos. Para Dr. Ib o mais famoso era o time do Santa Cruz que possuía bons jogadores e era formado por rapazes convocados para servir no 20º BC. Por ser formado por militares, o Santa Cruz era duro, difícil e, às vezes, violento. O grande dirigente do clube era chamado Germiniano. Um sargento preto, nascido na Bahia, mas um negro de alma branca. Apesar disso, não gostava de perder.
Por isso, xingava, brigava e ameaçava a arbitragem nas partidas do seu clube. Certo dia veio para Maceió assumir o comando do 20º BC o coronel Inácio de Freitas Rolim, oficial de elite, ex-comandante da Escola de Educação Física e presidente da delegação brasileira que foi as Olimpíadas de Los Angeles. Desportista dos bons, logo que assumiu sentiu o primeiro problema com o Santa Cruz. Leu nos jornais que o juiz tinha sido agredido por jogadores do seu time. O Coronel mandou formar o Batalhão e declarou que o Santa Cruz tinha que ser o orgulho do 20º BC. Se alguém cometesse uma indisciplina seria severamente punido.

          No jogo seguinte as coisas não andaram bem para o Santa Cruz e o sargento Germiniano agrediu o arbitro Agustim Farrapeira. O fato foi colocado na sumula e remetida para Carlos Gomes de Barros que era Presidente da Federação Alagoana de Desportos. Se fosse punido pela Federação, certamente seria punido no Batalhão. Com receio de perder a promoção e certas vantagens, o sargento tentou uma ultima cartada. Procurou Dr. Ib Gatto, seu amigo, para resolver o problema. Procuram o presidente da Federação e não deu certo. Então surgiu a idéia. Ir à casa do juiz e pedir desculpas. E assim fizeram. Depois de uma conversa com Dr. Ib Agustim Farrapeira aceitou as desculpas do Germiniano e retirou a queixa contra o sargento.

A guerra e o futebol

          Os que viveram os tempos da Segunda Grande Guerra estão lembrados de que chegou a Maceió o segundo Quarto Rã um contingente do Exercito que se aquartelou no fim da Avenida Duque de Caxias. Foi lá que Dr. Ib descobriu um jogador de basquete chamado Basso. Tinha dois metros de altura e foi transformado em goleiro do CSA. Havia também uma ala, Montori e Mori, que criou fama com a camisa do azulino. Entretanto o caso mais interessante aconteceu com o cabo Beloni, o chamado cabo Turco. Era uma figura de chamar atenção. Cabeleira bonita e um bigodão era o xodó das meninas. Ele jogava de ponta direita e Dr. Ib o levou para o CSA. Um dia, no acampamento, o cabo Turno bebeu a água do comandante. Resultado, foi para o xadrez. No domingo seguinte o CSA jogava e precisava do seu concurso. Dr. Ib foi ao Quarto Rã no dia do jogo. O oficial do dia era Barnabé Oiticica e grande amigo do médico do CSA. Foi tentada a liberdade do jogador. Depois de muito papo o oficial procurou resolveu o problema da seguinte maneira: Dr. Ib seria o responsável pelo cabo Turco. Levaria o jogador para defender o CSA e depois da partida retornaria com ele para o xadrez. E tudo aconteceu como foi combinado.

Negro e futebol: racismo no CRB

          Outro tema comentado por Dr. Ib foi o negro no futebol. Ele afirmou que no CRB não gostava de negro. Era um time da elite. Tinha uma ala esquerda que encantava a todos: Sidney e Swane, contador e gerente do Londonbank. Paulo Vasconcelos, filho de Luis Vasconcelos, industrial. Mario Gomes de Barros, filho do Coronel Laurentino Gomes de Barros. Mario que chegou a ser deputado federal.
Naquela época, não havia negros no CRB. Somente anos depois é que apareceu o primeiro negro no clube da Pajuçara. Seu nome era Zé Preto, um meia esquerda que jogava um grande futebol. O CSA era um clube mais aberto ao povão. Tinha Antonio Bráulio, um negro que jogava em várias posições. Depois, um navio trouxe um preto chamado João Manoel, o Mimí. Um centro médio maravilhoso. Gostava do CSA e nunca mais saiu de Maceió. Foram os primeiros negros no clube do Mutange.

Arbitragens

          Com relação à arbitragem Dr. Ib afirmou que os problemas vêm desde o inicio do futebol. Na sua época, os juízes superavam a parte técnica pela força moral e prestigio social. E deu um exemplo disso. Na década de vinte a decisão de um clássico CSA x CRB foi apitado pelo presidente azulino. Álvaro Peixoto foi o arbitro sem nunca ter apitado um jogo de futebol. O CRB aceitou sua indicação por sua respeitabilidade na sociedade alagoana. O então capitão Mario Lima era um bom arbitro. Tecnicamente não era muito bom, mas se fazia respeitar. Waldomiro Brêda foi o grande juiz da época do Dr. Ib. Era Inteligente, imparcial e respeitado. Mesmo sendo dono do Barroso, clube que disputava os campeonatos alagoanos, Brêda não tinha time com o apita na boca.

Um parque de diversão

          A geração de hoje não sabe que o Mutange já foi um Parque de Diversão. Havia até uma linha férrea que levava as yoles para a beira da Lagoa. Foram bons tempos para o remo do CSA. Houve um concurso da firma O. C. Vilela, que vendia os cigarros Veado. Quem ganhasse o concurso receberia uma yole. Como o Mutange ficava muito longe da praia, Tininho tentou e conseguiu que o CSA transferisse a garagem de barcos para a Pajuçara. Foi alugada uma sede defronte a Associação Comercial. Com o passar dos anos a coisa começou a cair e terminou acabando tudo. O grande problema era a falta de competição.



A construção do Trapichão

          Dr. Ib Gatto participou das primeiras reuniões que culminaram com a construção do Estádio Trapichão. Como Secretário do Planejamento foi chamado pelo Governador Luiz Cavalcante para uma viagem ao Rio de Janeiro. O Major Luiz iria se encontrar com o Senador Teotônio Vilela para tentar um Ministério para Alagoas. No seu segundo dia na Cidade maravilhosa ele recebeu um telefonema no apartamento do Hotel onde estava hospedado. Era o arquiteto João Kair que queria falar com o Governador. O Major pediu para ele subir. Gordo e mal vestido, João Kair mostrou um belo projeto de um Estádio feito para um grande clube que havia desistido da sua construção.
Observando o projeto o Governador se entusiasmou. Ele que comparecia aos jogos do CSA no Mutange ou na Pajuçara, campos pequenos e sem conforto, poderia oferecer ao torcedor alagoano um Estádio de verdade, grande, moderno e confortável. Entretanto, havia um problema. O alto custo da sua construção. João Kair mostrou que o Major poderia vender cadeiras cativas e isso ajudaria na construção do Estádio.
Como era um grande financista e com a concordância do Dr. Ib Gatto, o Governador resolveu aceitar o desafio. Esqueceu o encontro com o Senador Teotônio, retornou a Maceió, convocou Napoleão Barbosa e lhe deu a missão da construção do novo Estádio Estadual. No governo seguinte, com Lamenha Filho, Dr. Ib continuou como Secretario do Planejamento e acompanhou de perto toda construção do Trapichão.

         
Os tempos do fim

O tempo passou. As coisas mudaram. Os hábitos se modificaram mas Dr. Ib continuava firme como uma rocha. Com uma memória privilegiada, fez retornar ao hoje muitas lembranças de ontem. Quando o profissionalismo chegou ao futebol alagoano, ele preferiu se afastar, abandonar tudo. Não tinha nenhum entusiasmo pelo futebol daquele ano em que prestou este depoimento ao Museu dos Esportes. Limitava-se a ler as páginas esportivas dos jornais.

           A Academia Alagoana de Letras foi a ultima entidade a que ele emprestou os seus conhecimentos de estadista, tal era o grau de realizações que ele se propunha a concretizar. Mesmo aos 84 anos de idade, Dr. Ib continuava incansável na defesa de seus objetivos. Mesmo já com problemas físicos procurava junto as Secretarias do Estado recursos financeiros para a Academia. Com a saúde debilitada e dando sinais de cansaço sua locomoção estava cada vez mais difícil. Em outubro de 2007 deixou a Academia Alagoana de Letras e se recolheu ao seu apartamento. Devido ao consumo de medicamentos para a coluna começou a ter problemas renais o que ocasionou perda de memória. E em dezembro do mesmo ano de 2007, devido a uma pneumonia, Dr. Ib Gatto Falcão saiu de cena nos deixando muitas saudades e uma dor sem remédio.



Box Box Box

Hymno-Marcha
Do
Club de Regatas Brasil

I (BIS)
Ao remo! Pois nosso norte
De glórias traçado está!
Façamos o peito forte
Que a pátria forte será.

ESTRIBILHO (BIS)
Argonautas da esperança,
Vamos bem longe emballar
Nosso sonho de bonança.
Ao mar! Ao mar!

II (BIS)
Amamos a naturteza,
O mar verde e o céo de anil.
Avante! Pela grandeza
Do nosso caro Brasil.

ESTRIBILHO

III (BIS)
Nos momentos mais extremos
A pátria em nós terá fé
E o futuro esperaremos
Alegres, firmes, de pé.

ESTRIBILHO

IV (BIS)
E nossas veias ardentes,
De marujo o sangue corre,
Mocidade, para frente,
Que a mocidade não morre!

ESTRIBILHO





quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

[BANCO DE IMAGEM: MACEIÓ: FOTOS ANTIGAS] Urbanismo: a cidade e suas imagens

[BANCO DE IMAGEM: MACEIÓ: FOTOS ANTIGAS]
Imagens fornecedidas por Lautheney Perdgão


O famoso Gogó da Ema, um dos símbolos da cidade


O Hotel Bela Vista. Demolido.  Local onde fica a atual Praça dos Palmares.


Bela Vista, Bar do Relógio, Hotel Central

Catedral ao fundo. 


Suponho que seja a área de Riacho Doce
Praia da Avenida. Praça ao lado da Fênix. Museu Theo Brandão


Palácio Arquiepiscopal. Estação ferroviária. Bar do Relógio, Praça dos Palmares

Riacho Salgadinho antes do desvio do leito. Ponte Praça Sinimbú, área onde estará a Fênix

Rua Boa Vista. Foto tirada da Praça dos Martírios

Rua do Comércio

Rua do Livramento

Suponho ser o Beco São José

Provavelmente Beco São José

Bondes

Praça da Catedral, Arquivo Público, Rua 2 de Dezembro

Praça da Cadeia

Antiga lotação


Moisés. Corrida da Fogueira


Centro Sportivo em 1935. Moisés sentado: segundo à esquerda

Palácio do Governo

Penedo

Praça da Catedral

Rua do Comércio


Zepellin passando em Maceió
Z

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

[IURBANISMO: MACEIÓ: PERIFERIA: DRENAGEM: URBANIZAÇÃO.]. Lina Martins de Carvalho. Drenagem e urbanização na periferia de Maceió

                        
12 de julho de 2009




_____________________________________________________________________________


CARVALHO, Lina Marttins de. Drenagem e urbanização na periferia de Maceió.  O Jornal, Maceió, Espaço,  12  Jul. 2009

______________________________________________________________________________


O que Lina faz!




Lina Martins de Carvalho (26 anos) é Arquiteta e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UFAL), mestranda do Programa de Pós-Graduação Dinâmicas do Espaço Habitado (DEHA/UFAL) e integrante dos grupos de pesquisa “Núcleo de Estudos do Estatuto da Cidade (NEST/UFAL)” e “Grupo de Estudos em Morfologia dos Espaços Públicos (MEP/UFAL)”.



Umas poucas palavras

Luiz Sávio de Almeida 

            A condição urbana de Maceió tem que ser discutida para que o esclarecimento do seu processo histórico gere ganhos em proposições para o planejamento da cidade. Lina é uma pesquisadora interessada na temática dos vazios urbanos, expansão da ocupação territorial e entrou na discussão sobre a área dos tabuleiros, especialmente do Bairro da Cidade Universitária.  O trabalho foi apresentado na disciplina Formação do Espaço Alagoano do Mestrado em Dinâmicas do Espaço Habitado e teve por base seu texto de conclusão de curso que, inclusive, recebeu o prêmio Excelência Acadêmica na modalidade Monografia no V Congresso Acadêmico realizado pela Universidade Federal de Alagoas com o tema O processo de urbanização no bairro de Cidade Universitária em Maceió (AL): a contribuição sócio-ambiental das áreas verdes e vazios urbanos, orientado pela Profa. Dra. Verônica Robalinho Cavalcanti.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Drenagem e urbanização na periferia de Maceió

O excludente processo de urbanização da cidade de Maceió (inclusive pelo acelerado crescimento populacional) incentivou a marginalização espacial, com a pobreza passando a ocupar locais inapropriados e carentes de infraestrutura.  Este processo – suburbanização –, além de resultar em determinada alocação da população, incorpora-se ao de crescimento horizontal desnecessário da cidade, na medida em que a especulação é impulsionada com o surgimento de vazios urbanos.
A peculiaridade ambiental da periferia norte da cidade de Maceió – correspondente principalmente aos bairros da Cidade Universitária e Tabuleiro dos Martins – é de abranger a bacia-endorréica. Trata-se de depressões filtrantes que permitem a percolação natural das águas pluviais, recarregando os aquíferos que alimentam os mais importantes mananciais de Maceió. Portanto, essa bacia é responsável pela drenagem e pelo abastecimento de água de uma significativa parte da cidade (FERREIRA NETO et al, 2004).






Figura 1 - Localização do bairro da Cidade Universitária. Fonte: adaptação da base cartográfica de Maceió  PMM. 200.





Estudaremos o bairro da Cidade Universitária (ver figura 1), enfatizando sua peculiaridade ambiental e abrangeremos, obrigatoriamente, duas questões essenciais: o incentivo da política pública de planejamento que chega a entendê-lo como zona de expansão urbana e as distorções inerentes ao processo de suburbanização que mencionamos.
O artigo está voltado ao estudo das áreas verdes e vazios urbanos, com o objetivo geral de propor diretrizes sustentáveis para o andamento de sua urbanização.  Nesse sentido, ressaltamos a importância que as áreas verdes exercem sobre o bairro, uma vez que elevam a porcentagem de área permeável do solo, contribuindo com a percolação natural das águas pluviais e com a qualidade de potabilidade dos mananciais, além de possibilitar a implantação de áreas de lazer. A importância da análise dos vazios urbanos consiste na relevância que têm no desenvolvimento da urbanização de Maceió.
A importância acadêmica deste trabalho consiste em dar continuidade ao conhecimento acumulado em pesquisa de Iniciação Científica com o tema: “Vazios” Urbanos de Maceió: fronteira e interstícios da urbanização, desenvolvida pelo NEST/UFAL no período2005 a 2007, servindo como subsídio para futuros estudos voltados ao processo de suburbanização de Maceió.


Cidade Universitária

A impermeabilização do solo interferindo no ciclo natural da bacia-endorréica prejudicou a percolação das águas pluviais, gerando alagamentos nas vias principais do bairro. A implantação do Sistema de macrodrenagem tinha, também, o objetivo de amenizá-los por meio de lagoas artificiais de retenção (ver figura 2), mas este sistema não é totalmente eficiente, pois, enquanto a bacia infiltra naturalmente as águas, o Sistema de macrodrenagem, inclusive, redireciona-as em parte para outros pontos da cidade, dificultando a recarga dos aquíferos (FERREIRA NETO et al, 2004).



Figura 2 - Lagoa da Coca-ColaFonte: Jordannânia do Nascimento, 2009

 Por fazer fronteira com a área rural do município, observa-se no bairro nítida divisão (ver figura 3) entre o que vamos chamar de área de uso rural (sentido norte) e a área urbanizada (sentido sul).  A primeira equivale a 39% de todo o bairro, abrangendo atividades agrícolas como o cultivo da cana-de-açúcar. Na segunda, com 61% da área do bairro e objeto de estudo deste artigo, observa-se configuração urbana através de parcelamentos, edificações e equipamentos. De acordo com os relatórios do grupo de pesquisa Morfologia dos Espaços Públicos (MEP/UFAL), o perfil da ocupação desta área urbanizada (sentido sul) se modifica a partir da década de 50 com o início de parcelamento por meio de chácaras e sítios.


A construção da UFAL na década de 60 – dentre outros fatores – impulsionou a ocupação do restante do bairro.  Na década de 80, a ocupação se intensifica com estabelecimentos comerciais de porte nas bordas das vias estruturais do bairro, BR 104 e a avenida Menino Marcelo. Atualmente, o bairro é, em sua maioria, povoado por pessoas de baixa renda, atraídas por conjuntos populares.
Em relação à infraestrutura instalada, observa-se carência em: (a) abastecimento d' água – menos de 80% dos domicílios ligados à rede geral de água; (b) esgotamento sanitário – menos de 70% dos domicílios ligados a rede geral de esgoto; e (c) em pavimentação, com menos da metade de suas ruas pavimentadas (ZACARIAS, 2005). Essa deficiência de infraestrutura, aliada à crescente taxa de impermeabilização, aumenta o potencial de risco de contaminação dos aquíferos.


Áreas Verdes

Trata-se de espaços públicos com equipamentos urbanos e de lazer, exercendo significativa função ambiental. Surgem pontual e heterogeneamente, ocupando dispersas quadras de formato quadrado ou retangular, localizando-se no centro ou nas bordas dos parcelamentos. Para análise dos resultados do trabalho, foram consideradas somente as áreas verdes que se encontram nos parcelamentos cadastrados pela prefeitura, de acordo com a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU). No bairro elas geralmente se assemelham aos espaços livres, mas devem ser diferenciadas deles. De acordo com Ferrari (2004, p. 38), as áreas verdes são: áreas de recreação, educativas e contemplativas, em que predomina a vegetação de uso comum do povo. Atingem seus objetivos quando arborizadas, total ou parcialmente.
De acordo com as análises do mapa e das visitas a campo, observamos quatro situações diferentes de áreas verdes: (a) áreas verdes de fato implantadas, com equipamentos, arborização e áreas de lazer; (b) áreas verdes não implantadas, com aspecto de espaços livres, pouca vegetação e utilizada pela população para diferentes fins; (c) áreas verdes utilizadas para equipamentos e instituições; e, enfim, (d) áreas verdes invadidas.



As áreas verdes com aspecto de espaços livres são as mais comuns no bairro (ver figura 4), utilizadas pela população como atalhos para circulação, pontos de encontro, ou mesmo na implantação temporária de parques infantis. Segundo os próprios moradores, estes espaços merecem uma maior atenção por parte do poder público, com a implantação de parques, quadras de esportes, além de mais arborização. É o caso das áreas do conjunto Eustáquio Gomes de Melo e do loteamento Denisson Menezes.
Segundo Sanchotene (apud HARDER, 2002), o grande problema das áreas verdes é sua ocupação indevida, clandestinamente, por sub-habitações ou por atividades comerciais, associações de bairros, entre outras. Nessas áreas verdes que vêm sendo invadidas, seja por pessoas de baixa ou até de média renda, devem ser aplicados os instrumentos já encontrados no Estatuto da Cidade de Maceió.


Vazios Urbanos

Os chamados “vazios urbanos” são aqueles que aguardam valorizações. Não acompanham o ciclo dinâmico de funcionalidade urbana e são frutos do interesse econômico do mercado, comportando-se como um tipo de mercadoria que se valoriza ou se desvaloriza com o passar do tempo, a depender das circunstâncias. É evidente que, inseridos num processo de urbanização descontrolado, como é o caso de Maceió, os vazios são considerados obstáculos, acumulando uma significativa área, às vezes em locais privilegiados com infraestrutura e equipamentos. Identificando os problemas que geram os vazios e as potencialidades de sua utilização, estes podem se tornar partes significativas das soluções no que diz respeito ao desenvolvimento qualitativo das cidades, através de políticas públicas voltadas a seu planejamento e utilização.
Os vazios urbanos na Cidade Universitária seguem a descrição utilizada por Ebner (1999): são lotes desocupados e não edificados, parcelados ou não, terrenos à espera de futuras instalações localizadas em áreas que possuem o mínimo de infraestrutura. Encontram-se de forma heterogênea ao longo do bairro, concentrando-se dentro ou próximo aos parcelamentos implantados, sendo distribuídos em diferentes tipos: lotes pequenos (até 125m²), padrão (de 125 a 500m²), grande (de 500 a 1.000m²) e glebas (mais de 1.000m²). Juntos, equivalem a 29,58% da área total do bairro e a 47,90% de sua área urbanizada (dados sistematizados sob a base cartográfica do ano de 2000). Dentre esses vazios os que mais se destacam são as glebas, ocupando 93,24% de todos os vazios e consequentemente 27,58% da área total do bairro.
Estas glebas se caracterizam como grandes espaços vazios e abandonados em meio ao bairro, localizando-se geralmente vizinhas aos parcelamentos consolidados. A população as utiliza para diversos fins: campos de pelada; atalhos para circulação entre áreas ocupadas; pontos de prosa; acúmulo de material ou lixo a céu aberto, principalmente nos vazios urbanos invadidos, e até mesmo para uso rural.
As glebas próximas aos densos loteamentos e que margeiam as vias principais do bairro se destacam por serem constantemente invadidas por uma população desprovida de moradia, a fim de montar barracos de lona e papelão, compondo formas subumanas de moradia, em locais totalmente insalubres e desprovidos de infraestrutura. É o caso da gleba localizada entre o conjunto Eustáquio Gomes de Melo e o loteamento Jardim da Saúde (ver figura 5). Ela foi ocupada por aproximadamente 115 famílias – o maior assentamento irregular encontrado no bairro –, que se fixaram no local há cerca de nove anos. Diante da potencialidade de implantação de Habitações de Interesse Social desta gleba, implantou-se o conjunto Santa Maria, cujas unidades residenciais foram destinadas à população de menor poder aquisitivo.




Considerações Finais

A presença da bacia-endorréica, aliada à tendência de expansão urbana do bairro, exige uma maior eficácia das políticas urbanas no sentido de estipular diretrizes sustentáveis de uso e ocupação do solo. Isto será possível por meio de um maior controle demográfico, incentivando a baixa taxa de ocupação do solo, optando por edificações verticais, a fim de possibilitar maior área permeável, o que facilitará a percolação natural das águas pluviais.
Em relação às áreas verdes, percebeu-se que sua melhor disposição depende de fatores como relevo, bacia-endorréica, percurso das águas pluviais e também distribuição da ocupação no bairro. É recomendável que elas se distribuam ao longo do parcelamento de forma contínua, percorrendo o sentido do caminho das águas pluviais e, se possível, mantendo uma continuidade entre as áreas verdes dos diferentes parcelamentos.
Russo (2005) afirma ainda que as áreas de maior densidade demográfica são as que mais necessitam de áreas verdes, diferentemente daquelas dispersas onde, naturalmente, é encontrada uma maior permanência de vegetação. Nesse sentido, o ponto mais central do bairro merece atenção, por abranger os parcelamentos mais densos, os conjuntos Deputada Lucila Toledo e Santa Helena e o loteamento Denisson Menezes.
O próprio perfil periférico do bairro e sua característica ambientalmente peculiar remetem à não utilização de seus vazios para fins construtivos. É aconselhável que se constituam como áreas permeáveis, facilitando a percolação natural das águas pluviais, permanecendo como vazios ou tornando-se áreas verdes, a depender das necessidades de cada fragmentação do bairro, seja pela drenagem prejudicada, seja para proporcionar área de lazer para os parcelamentos mais adensados, como no caso do loteamento Denisson Menezes.
O papel social das áreas verdes seria a implantação de áreas de lazer e, como não poderia deixar de ser, seu papel ambiental seria também evitar os corriqueiros alagamentos, de modo a contribuir com a percolação natural das águas pluviais, beneficiando diretamente o abastecimento de água de uma significativa parte da cidade. O papel social dos vazios urbanos seria a implantação de habitações de interesse social, principalmente naqueles que vêm sendo invadidos pelos sem-teto. Já o papel ambiental destes vazios seria sua utilização como áreas verdes, proporcionando maior controle da drenagem em locais estratégicos.
Essa harmonia estabelecida entre os meios social, ambiental e econômico é fundamental ao se tratar de um planejamento sustentável para as cidades. Os cidadãos necessitam mais do que a infraestrutura básica pode oferecer como água, esgoto, luz, etc. Eles necessitam de equilíbrio, lazer e também tranquilidade. Estas qualidades podem ser encontradas em espaços ainda “vazios”, tranquilos, com bastante verde, situados dentro das cidades, para fugir dos transtornos e dificuldades que a própria cidade pode causar a seus moradores.


REFERÊNCIAS

EBNER, Íris. A Cidade e seus Vazios. Campo Grande (MS): Editora UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), 1999.

FERRARI, Celson. Dicionário de Urbanismo. 1ª Edição. São Paulo: Disal Editora, 2004. 451p.

FERREIRA NETO, J. V.; SANTOS, R. J. Q. dos; LIMA, R. C. de A. Os Recursos Hídricos da Área do Tabuleiro do Martins – Maceió/AL. In: ARAÚJO, Lindemberg Medeiros de. (Org.) Geografia: espaço, tempo e planejamento. Maceió: Edufal. 2004, p. 231 - 254.

HARDER, Isabel Cristina Fialho. Inventário quali-quantitativo da arborização e infraestrutura das praças da cidade de Vinhedo (SP). Piracibaba (SP), 2002. Dissertação (Mestrado na Escola Superior Agricultura Luiz de Queiroz) Universidade de São Paulo, Piracicaba.

RUSSO, Renato Anselmo. Aplicação do indicador de proximidade de áreas verdes urbanas na cidade de Jaboticabal – SP. São Carlos (SP), 2005. Dissertação (Mestrado em Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana.) Universidade Federal de São Carlos, São Paulo.

ZACARIAS, Paula Regina Vieira. Relatório Científico Final. “Vazios” urbanos de Maceió: fronteiras e interstícios da urbanização. Maceió (AL), 2005. Universidade Federal de Alagoas.