sábado, 22 de junho de 2013




O Guia Sávio da Cozinha Alagoana 

Brazulaque e carneiro com fava

Luiz Sávio de Alrneida












Acordo, espero o Fiúza para irmos apanhar o Sidney e rumarmos para café com o Aldo Rebelo. Eis senão quando sente-se a necessidade de um dístico e os poetas, depois de mil confabulações, conseguem compor nobres versos camonianos: nada melhor,  numa  churrascaria, do que uma boa poesia. Espetinho de versos, disse a Maria Lopes, com uma ponta de deboche.

A sagrada bandeira da pátria capalense

A Viçosa
Tomamos o caminho da Capela, Fiúza mostrou onde era a zona (na verdade eu tive um tio que montou bodega no local), vimos a Igreja onde me batizei, passamos na estação, louvamos a beleza do Grupo, lembramos do Sadi Cabral, passamos no primo Neuton e tomamos o destino da Viçosa, sem deixar de lembrar do Natalicio de Almeida.
Vai que encontramos a primeira placa anunciando o famoso motel regional: Dallas. Apareceu outra, com o motel dizendo-se a 11 quilômetros,  como se estivesse motivando: ‘Amigo, cana tem pelo, não desista que você chega lá’. E não passamos pelo Dallas; fomos pelo Sabalanga.  Tínhamos que pegar a estrada para Mar Vermelho, mas a tradição levou-me a Padaria (próximo relato) que sempre frequentei na Viçosa e saímos para o Aldo, pegando a estrada que tem o nome de um inesquecível amigo, o José Aprígio. Fiquei em busca de uma placa varias vezes por mim e por meu filho fotografada: Zezinho dos Usados. Os usados do Zezinho tinham acabado e garrei a pensar no que havia acontecido com ele.
O carro anda, pega a esquerda, sobe e, de repente, uma casinha branca e a primeira surpresa culinária do dia: um belíssimo brazulaque. Se brazulaque é extraordinário, avalie quando o leite é da vaca Única. Comemos e enchemos a pança (o Aldo até mandou fritar mais ovo) ao som de conversa sobre política e dia-a-dia. Fiuza é magro e come muito; Sidney é gordo e come muito;  Aldo é magro e come pouco. Isto me intrigou,  fiquei calado pensando na misteriosa relação entre comer e ser gordo ou magro, desde que não se pode ser O Gordo e O Magro, direitos autorais americanos. Só americano consegue ser 0 Gordo e o Magro.

Mar Vermelho


Mar Vermelho

Decidimos ganhar o mundo e o dilema seria onde encontrar uma churrascaria que correspondesse ao lema da expedição, rimando com poesia. Veio o rumo do Mar Vermelho,onde sentado numa praça ouvi uma musica impressionante, sobre a historia de um vaqueiro que se apaixona por uma moça de minissaia verde e o cavalo dele vai às portas da morte com ciúmes.

       
Tanque d'Arca

Tanque d'Arca
Sidney se lembra dos versos, uma espécie de espanto e tristeza do vaqueiro: ‘Nunca pensei que animal tivesse sentimento: Eita cavalo ciumentol’. Visitamos Mar Vermelho e para onde iríamos? Tomar o caminho de Viçosa? Qual a razão de nao ficarmos no Geraba e irmos almoçar na Churrascaria Caroman? Ela pertencia a Rosa que havia se aposentado dos Correios e, além do mais, via-se a graça da maviosa Cicera, perfunctoriamente falando. Todos nos aceitamos a beleza do carneiro guizado. Está aí, um endereço para quem  for ver as maravilhas da estrada que vai da Viçosa à Tanque d'Arca: Churrascaria Caroman, lá no Geraba, após o Tangil. Peça carneiro e se assuste como é bom. Além dos mais, a cachaça com raízes é de bom gosto, apesar de ser de coluna, o que n ão me agrada, mas a raiz temperou bem e muito bem por sinal.


[1] Texto publicado na edição do dia 23 de novembro de 2007, O Jornal.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

[MEMÓRIA E CULINÁRIA] Onde se come um grande camarão e um belo siri


TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM O Jornal. Maceió, 21 set. 2007




O Guia Sávio da Cozinha Alagoana
 
Onde se come um grande camarão e um belo siri

Luiz Savio de Almeida






Eu não gosto da expressão frutos do mar, embora seja mais do que utilizada. Fruto fica bem para maga, jaca, cajá; não pega em camarão, tainha e mais trecos que vivem no mar. Mar até que é palavra poética; oceano é mais geográfico. Eu nunca vi um pé de camarão, pé de peixe-espada... Se um peixe-espada fosse plantado, seria pela espada ou pelo rabo? Não sei. Um peixe-serra jamais poderia existir como árvore. Já  pensou em pé de baleia? Uma horta de siri? Coisa difícil de imaginar... Mas se necessário, podem ser possíveis. 

No entanto, é preciso reconhecer que tudo que é do mar é bom,  pois quem é do mar não enjoa e chuva fininha é garoa. Siri é de primeira; é o único bicho de casca que tem filé, parte nobre. O bom filé de siri evita que a gente fique cuspindo. E onde tem o melhor? Onde? Advinhe! No Cadoz, no Bar do Reinaldo. Tudo começa pelo passeio, no meio do coqueiral. E a gente  ganha o mundo na estrada de barro, passa pelo Buraco da Julinda,  passa por outro e chega na igrejinha dos Remédios. Eu tomo uma para esquentar e gosto de mergulhar no Rio dos Remédios. Cachaça e água fria de rio ninguém deve perder. Do lado da ponte, tem um bar; vale parar para conversar besteira com o povo. Um dia, passei mais de hora vendo um teju; eu acho uma coisa linda. Com, sorte, escuta-se passarinho, tem-se o prazer de ver macaquitos, como chamaria qualquer pândego argentino.
Toma-se a diretura do Cadoz. E, então, o caminhante encontra o Bar do Reinaldo. Bom é ficar fora, onde tinha umas mesas toscas, feitas com carretel de fio (suponho).  No mais, a beleza infinita da paisagem e um gavião  (mas é gavião mesmo)  que, desejando, aparece e fica pescando, levando os peixes para o mangue do outro lado. Vez em quando uma canoa, e vez enquanto o siri delicioso, de incontáveis pratos. Eu gosto de misturar com farinha e tascar pimenta, assoprar o fogo que ganha as entranhas misturado com aquele gosto harmonioso entre o siri e o mundo.
Depois é seguir rumo a Coqueiro Seco, parando, conversando na calçada com o povo, vendo a Igreja, tomar o rumo de Santa Luzia do Norte, ficar de papo com o povo La no oitão de outra Igreja. Quando meu amigo Wilson era vivo, eu sempre parava no bar dele.  No mais, é sair na  estrada. Quem não deseja este caminho, volta pelo outro lado. Normalmente, é a lua quem decide por onde vou.
Deve ser notada a extraordinária mistura entre um rio, luar, gavião,  cachaça e siri. Já o camarão que eu percebo como o melhor de Maceió é justamente no Bar do Camarão no final da Avenida Jatiúca. Mas que coisa boa... 0 gosto chega muito perto do caseiro, da minha casa e dos cuidados culinários da minha mãe. O camarão aparece para mim nas beiras do São Francisco, água doce, nas bandas da vetusta e leal cidade do Penedo.   O camarão cozido com casca, leite e cheiro verde, aqueles galhos de coentro que chega se enroscam nas cascas vermelhentas,  sem que o gosto do coentro espante e com as cascas quase em tom sobre tom, inclusive frente aos pedaços de tomate.
        O arroz branco equilibra o prato, como  guarnição. A tarefa da guarnição é ressaltar o principal e, também, no meu entender, complementar quanto à estética. A simplicidade do arroz absolutamente solto é capaz de dar o que vou chamar de textura ao prato. Ao lado dele, a também simplicidade da saladinha- tomate-cebola. Azeite e ai a porca torce o rabo. Havendo uma pimenta de cheiro ou olho de peixe, o mundo se encandeia. Não sei definir o sabor e nem sei se sabor é passível de definição. É bem verdade que um prato é ele e sua circunstancia, em um espírito meio orteguiano.
               Dizem que eles fazem no Bar, uma boa língua . Nunca provei. Meu negócio é o camarão. Vou sempre com a Maria Lopes que chega suspira a cada minúscula garfada. Maria Lopes é muito somítica no comer. É um amor de pessoa, mas tem suas macacoas. Um dia, com raiva, beliscou o garçom. Foi um vexame.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Guia Savio da Cozinha Alagoana. .O primo Neuton e a Maria Furadinha: dois tesouros do feijão alagoano

Este artigo foi publicado em O Jornal em 14 de setembro de 2007


Guia Savio da Cozinha Alagoana

O primo Neuton e a Maria Furadinha: dois tesouros do feijão alagoano

Luiz Sávio de Almeida

Não é fácil preparar bom feijão, sustentar a qualidade da comida diária de uma casa. A sua presença e a do arroz montam o trivial de nossa mesa, existindo, inclusive,  para a sua repetida e repetida presença,  uma expressão para a rotina que se faz chatinha: é o mesmo feijão com arroz. A gente já cresce sentindo o cheiro dele e quando é tempo de comida de panela, cuidadosamente ele vai sendo introduzido, por ser pesado.  Ele vai ser de absoluta necessidade para a sustança.  Se alguma nutricionista fizer uma pesquisa procurando saber os alimentos que o povo reconhece como forte, sem duvida vai ouvir falar muito de nosso feijão. Para curar a fraqueza, o feijão aparece no receituário: tá fraco das pernas, é preciso comer feijao.
E por ai seguem o de corda, arranco, preto, branco, mulatinho e haja feijão. A beleza de tudo esta na simplicidade;  cada casa tem seu feijão e penso que chegue a ser uma espécie de  impressão digital domiciliar. Como em cada casa existe um tipo de amor, em cada cozinha existe um tipo de feijão. Sei lá  como se pode ter tanto gosto diferente, tanta textura diferente de caldo... O mulatinho pesa em todos os lares, aquele caldo, o marrom, a sopa em potencial. Para mim, o feijão de maior presença publica é o dos pedreiros. Não sei se é a hora em que ele começa a cheirar, mas é como se de imediato o olfato recomendasse o sabor. O cheiro e o gosto assumindo a construção, como se estivessem emoldurados pelo Chico Buarque de Holanda.
Eu não sei se é o cimento, a poeira, o barro, a lata, a lenha... Não sei... Apenas sei que é uma bela hora de almoço. Quando faço amizade com pessoal de alguma construção perto de casa, vez em quando colaboro na comedoria, recebo meu quinhão e tome farinha e pimenta. Mas aqui pertinho da Maceio, existe um restaurante extraordinariamente pedreiro: mesmo feijão, mesmo poder de charque:  a Maria Furadinha, onde se encontra, também, o belo servico de mesa prestado pela não menos competente Taioba. Seria difícil que o feijão da Maria Furadinha tivesse o poder que tem, sem a Taioba para brilhar em futuro esporte olimpico:  prato a mesa. Ela joga bem. Dois garçons ticam na minha memória: a Taioba e o Pescoco.  Pescoco quando eu pedia uma cachaça, ele colocava outra para ele e saiamos cambaleantes: o fregues e o garcom que se danava a fazer conta errada. Nao é o Pescoço do Graci: é outro. A ultima vez que o vi, ele trabalhava na Peixada Pajus., na esquina do quarteirão em que ticava o Bar das Ostras, lá na Lagoa. Paz é tempo...
Excelência do feijão  é o caldinho do Bar Sem Nome do primo Neuton na Capela. Alias, o primo serve o de feijão, galinha e misto, valendo a pena sair de Maceió e deliciar o caldinho em uma rua calma, parece que em frente ao Cartório do primo Cícero Cocó, oitão do Forum e de frente para a Estação do Trem, parada, sem, movimento, com aqueles trilhos vivendo a toa por maldade do destino. Quando o trem chegou na Capela, o povo tinha pena do bicho cansado,  resfolegando de tanto andar e andar. Pois a estação esta ali, confronte o primo Neuton,  Estação que viu a morte do Leobino no tempo do Costa Rego.
Adicionar legenda
É impressionante a limpeza onde o caldo é preparado. Limpo, limpo, limpo... Nem parece que por ali andou galinha ou feijão. Não se vê uma pena, uma semente de tomate, uma queixa do galo marido da galinha. Maria Lopes tinha razão: vale a pena sair de Maceió, ir tomar o caldinho do primo. lsto é bom, ainda de acordo com a Maria Lopes, para quem deseje tomar um deforete, descansar do burburinho.   preciso um cuidado; vai chegando por perto do meio-dia, o primo fecha; não gosta de muita gente e eu entendo: não ha abuso mais chato do que de bêbado e de freguês gritando: eu quero isto e que quero aquilo! Maria Furadinha e o primo Neuton são exímios curadores da cozinha do feijão. Maria Lopes fala da sopa de feijão da Lurdes lá no Cajueiro Grande em Penedo, mas a Maria esquece que a Lurdes já morreu. Coitada, saudades,. Foi quem me deu muito pirão de peixe e caldo de piranha quando eu era menino na Rua da Penha.




Memória do Rio de São Francisco, 1879] ROMARIZ, Antônio. . Scenas Rio de São Francisco



O velho Rio São Francisco

Luiz Sávio de Almeida





         

            Não há como negar o fascínio que o Rio São Francisco carrega com suas águas.  e não são poucas as horas, as tintas, os escritos que foram dedicados a ele.  Eu estava  pesquisando um antigo jornal que circulava em Alagoas, século XIX, e me deparei com uma crônica extremamente sensível  e escrita sobre ele. Era de autoria de Antônio Romariz. Achei interessante o modo poético como trazia o rio e seus costumes e então resolvi partilhar.O Orbe foi um jornal que começou a circular em Alagoas, no ano de 1879. Saía segunda, quarta e sexta, sendo propriedade de José  Leocádio Ferreira Soares, tendo sua redação situada na Rua da Boa Vista, 55, sendo impresso na Typographia Mercantil, que deveria sr do mesmo proprietário, pois ela tinha sede no mesmo número da antiga Boa Vista..
      Quem ama o Rio São Francisco, irá sentir-se em casa ao palmilhar o texto.
                                                                              http://www.joaodesousalima.com

Scenas  Rio de São Francisco

Antônio Romariz


 ( Ao Sr. Guido Duarte )

O Orbe. Maceió. 23 mar. 1879.

Opara— chamavam os aborígenes ao rio Francisco.

É um rio magestoso o meu pátrio rio

Quem nâo o conhece, ao menos, pela voz da fama?

A natureza deu-lhe um lugar distincto entre os systemas hydrographicos do ímperio.

A portentosa cachoeira de Paulo Affonso é o ponto luminoso, para onde convergém as vistas de toda a Europa.
Magestoso rio !

Mollemente  espreguiçado sobre o seu leito de areias, estende os braços o gigante do norte, e num estremoso abraço, a' dormece, soluçando beijos de espumas nos braços das cinco provincias que banha. São as suas bellas amantes. Quando a lua cheia derrama sobre a terra as suas amphoças de luz, o rio adormece, corno o somnambulo pela força de vontade do magnetisador; uma boia de prata fluctua nas águas: é a lua que dorme a estremecer no espelho liquido.


O silencio vagueia nos nos ares, no rio e no lago, no prado e no monte; apenas quebrado pelo chorar da mareia nas ribas, pelo cahir das folhas seccas sobre as pedras dos morros, pelo chiar e rangir da voga ou da zinga da canoa, que sobe a corrente, pela cantiga do sertanejo, repassada de  ternura, ungida de melodia, vaga como o pensamento do cantor, que a concebeu; porque muitas vezes o homem
dos sertoes, o cantor d'essas trovas tão nacionaes é  um poeta, rude, é verdade, mas original. A natureza é a sua amante a naturalidade, a sua arte. E, no meio de tudo isso, o cahir das   folhas e a voz do sertanejo despertam os eccos dormentes das serras, nas quebradas.

          De espaço a espaço, as araras gargalham nos morros sobre os ramos dos angicos ou dos mandacarús; a siriema solla uma escala chromatica, tão afinada, do grave ao agudissimo e viceversa, que dir-se-hia uma clarinella tocada por musico exímio.

         
Aquellas serras sào como que exercitos enfileirados, que lhe fazem continência  e lhe velam o dormir.

          Mais abaixo, sobre um penedo, a rainha daquellas águas mira-se enamorada nos chrystaes do rio. E' a noiva d'aquelle sultão que deita a fronte nas Canastras e lava os pés no mar.

          Corramos agora uma cortina sobre esses brilhos da lua.

É uma noite sem estrelas.

O  mar, do sua trompa oceânica  tira sons roucos, como as tempestades o que veem com os ventos tos das procellas morrer-nos aos ouvidos, sete léguas acima da foz, ou antes, expirar no regaço da  rainha daquellas aguas.

Uma toalha negra cobre a superfície do rio.

Para as bandas do sertão, montanhas de nuvens cobrem os ceos, negras, como os demônios da tradiccão.

De quando em vez, uma estrellinha espia por entre uma fresta de nuvem, e dá um beijo de luz no rio que se agita.
O relâmpago abre-se, o ronquejar do trovão rola e rola e uma lingueta de fogo,  tortuosa lambe as negridões.

É o raio que brinca.

O S. Francisco reflete essas imagens com uma fidelidade artislica.

Imagine o leitor uma immensa chapa de prata polida, no
meio das trevas, e allumiada por um incêndio de pólvora, e terá o relâmpago no S. Francisco.

O vento cresce de forca; o rio cava-se; a chuva cahe a
principio do peneira; engrossa-se, e chia sobre os telhados, as calçadas das ruas e sobre o rio e o trovão ribomba: é a harmonia espantosa da trovoada,

Ao fusilar dos relâmpagos, desenham-se as  formas fantásticas, enormes, negras, como a noite mesma: são os morros o as serras d'alem.

No dia seguinte, as  negruras e aos furores da noite sucedem os brilos de um ceo azul, franjado de brancas nuvens e dourado por um sol mais claro. 

As enxurradas passam descendo  as ruas da cidade heroica de uma extremidade á outra, como cachoeiras taes, que impedem o transito publico. 

As trovoadàS são a origem das enchentes. 

O Pajeú e o Moxotó, dois tributários do S. Francisco, recebendo as copiosas águas dos céus, engrossam-se, e as despejam aos pés .do grande senhor,  que principia a entumecer-se.

Depois: as chuvas sempre  a crescer o rio sempre a engrossar,  arrojam-se às suas águas sobre a grande penedia da cachoeira; esta por sua vez salta como um rebanho de alvíssimos liões sobre o grande abismo do baixo S. Francisco e causando, segundo [...] um estrondo que [...] muitas léguas, faz levantar uma nuvem de vapores, tão espessa, que assemelha-se a rolos de fumaça de um grande incêndio. 


Então, o rio rompe as ribanceiras, pula o álveo, e inunda os campos. 

Então, Penedo está com as ruas baixas todas alagadas.

As canoas servem de gondolas venezianas.

Os terrenos adjacentes são um lago-mar!

Agora o prazer das regatas. 

    Escaleres, canoas, jangadas, com as velas pandas, e ornadas de bandeírolas de diversas cores, levam músicos, homens, mulheres...

E partem. Os vivas, os foguetes, a grita de alegria vêm morrer aos ouvidos dos espectadores das margens.

São ãs regatas.

Mais tarde, o prazer para muítos converte-se em desgostos em molestias.

O rio vasou. As sezões, chamadas, tomam o seu lugar... Homem; palidos, mulheres descoradas; a moléstia não escolhe; faz-lhes pagar os banhos nas ruas em noites de luar. . .

Bello espectaculo na verdade o do S. Francisco transbordado I

     Quando se poderá contar com o auxilio do paiz para o impedimento das águas dentro da cidade?

E' interesse publico; será preciso que amadureçam séculos?

O sol entrou em capricórnio. O céu é de fogo, o ar é de fogo, o rio está como que incendiado. A Tabanga, em frente á vila do Traipu, assemelha-se a uma enorme baleia á flor d'agua e aí o calor é abafador.

O rio tem  faíscas electricas á vista.

O sol reclina-se sobre as ^montanhas da margem direita em frente á cidade  heróica, dizendo o ultimo adeus ás águas, aos montes e a cidade.  O rio tem sobre si uma toalha de pedras. O céu iria-se; as nuvens franjadas d’ouro e escarlate vão passando em  caravanas para  o sertão; bandos de aves selvagens descem o rio e somem-se para o mar.


O sol escondeu-se.  A claridade do sol sucede  a claridade da lua. Os ventos suspiram trazendo das vagas [...]

Banco de Imagem] Amizades


Um pequeno momento de recordação
Luiz Sávio de Almeida e amigos



VIVI


pulando no meninos da albânia


Fundação Casa do Penedo










segunda-feira, 17 de junho de 2013

[Banco de Imagens] ALMEIDA, Luiz Sávio de. A beleza do porto de Maceió

 A beleza  do porto de Maceió

Luiz Sávio de Almeida


Fotos tiradas da varanda do antigo Colégio Guido. A enseada de Jaraguá é sem dúvida, belíssima