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quinta-feira, 8 de março de 2012

[Clliping: Mulherr e Violência]Material divulgado na imprensa de Maceió, outibrode 2011, sobre mulher e violência

Material divulgado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Direito, Sociedade e Violência do CESMAC - Centro Universitário.

Se você é interessado no assunto, visite o blog do Núcleo

CAVALCANTE, Anyelle. CRIME PASSIONAL. Mulher é suspeita de matar ex-monitor da UIM por ciúmes. CRIME TERIA OCORRIDO NA ÚLTIMA TERÇA-FEIRA; ACUSADA ESTÁ FORAGIDA. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 01 out. 2011, p. 12.

O ciúme teria motivado um cri­me que chocou os moradores do Condomínio Teobaldo Barbosa, no bairro do tabuleiro. Na noite de quinta-feira, por volta das 22h, a polícia chegou ao condomínio depois que a Delegacia de Homicídios recebeu um suposto telefonema de Márcia Ma­ria de Oliveira Castro, confessando a autoria do assassinato de seu próprio marido, о vigilante e ex-monitor da Unidade de Internação Masculina (UIM), Sérgio Amaro da Silva. 34 anos.
De acordo com о delegado Dalmo Lima Lopes, que estava de plantão na Central de Polícia, um policial teria recebido о chamado e avisado à Central. "O Copom havia recebido uma ligação da mulher (Márcia) na terça-feira, 20, mas não checou a informação. Quando achamos о cadáver, vimos que о согро já estava em decomposição", informou.
O irmão da vítima, Gerônimo Gomes, revelou que о vigilante não mantinha contato com a família desde a última terça-feira. "Estranhamos a ausência dele, assim como as pessoas que trabalhavam com ele. Meu irmão sempre foi presente na família. Por isso, acreditamos que о cri­me aconteceu na terça-feira mesmo", explicou.
Sobre о relacionamento de Sérgio e Márcia, Gerônimo esclareceu que os dois conviviam ha 12 anos e tinham uma relação tumultuada. "Ela era bastante violenta e possessiva; já ameaçou ele de morte muitas vezes. Nós dizíamos para ele acabar com a relação", reforçou о irmão da vítima, afirmando que Sérgio tinha uma filha de um casamento anterior.
Apesar de ter confessado о as­sassinato do marido, Márcia te­ria desaparecido depois de deixar a chave do apartamento na portaria do prédio. О согро de Sérgio foi enterrado ontem à tarde no cemitério São José.
JÚNIOR, Carlos Alberto. Aposentada é  encontrada morta e com marcas de violência sexual. Maria Gomes, de 76 anos, morava sozinha em Palmeira dos Índios. O JORNAL. Maceió, o4 out. 2011, p. 10.


SUCURSAL – Até  o final da tarde de ontem, a Polícia Civil em Palmeira dos Índios, continuava sem informações sobre quem invadiu, na madrugada de domingo, a casa da aposentada Maria Gomes da Silva, de 76 anos, no sítio Gavião de Baixa zona rural da cidade. A idosa foi encontrada morta, em seu quarto, na manhã do mesmo dia, com sinais de violência sexual.
O corpo da vítima, que morava sozinha, foi descoberto por uma irmã que tinha uma cópia da chave da residência. A aposentada teria  sido encontrada com sangramento  na boca e nas partes íntimas.  A polícia suspeita que, antes de ser morta, ela tenha sido agredida sexualmente .  O invasor teria entrado na casa pelo telhado, pois uma abertura foi vista entre as telha do cômodo.
Agentes da Polícia Civil disseram que o corpo da idosa estava com vários hematomas em diversas partes, o que evidenciou a violência e o abuso sexual. "O pescoço dela estava com marcas de estrangulamento e muito roxo. Ela estava machucada e ainda sangrando na boca e entre as pernas", informou a agente Quitéria Wanderley.
O Centro de Operações Policiais Miltares do 10º Batalhão de Palmeira dos Índios informou que nada foi levado pelo desconhecido. O caso será investigado por agentes da 5º Delegacia Regional da cidade. Um dos questionamentos a ser desvendado pela equipo do delegado Silvio Costa de Lima é a real motivação do crime, já que não houve roubo. O corpo da idosa foi levado para o Instituto Médico Legal Doutor Edvaldo Castro Alves, em Arapiraca, onde foi feito um exame ainda na manhã de ontem.  "Somente após a liberação do laudo cadavérico é que poderemos provar que houve de fato. a violência sexual",  explicou um dos agentes plantonistas da Delegacia de Quebrangulo.
Na manhã de ontem, a equipe plantonista recebeu uma denúncia de moradores do bairro de que uma camisa com prováveis  manchas de sangue foi encontrada próximo ao local do crime. "Ainda não podemos confirmar se a camisa pertence ao assassino. Por isso encaminharemos para perícia técnica. Temos uma linha de investigação, mas ainda não podemos revelar muita coisa", disse um agente da Delegacia de Palmeira dos Índios.
OUTRA VÍTIMA - Também na manhã de domingo outra mulher foi assassinada com requintes de crueldade, no interior de Alagoas. O corpo da doméstica Maria Cícera da Silva, de idade não revelada, foi encontrado com marcas de estupro, com um dos braços e o pescoço retorcidos.
Informações do relatório do Grupamento de Polícia Militar (GPM), indicam que a barbárie ocorreu em uma fabrica de material de construção,  próximo à rua Nadja Silva Porto, e também da casada vítima. "A polícia foi acionada e lá se deparou com a mulher morta. Realmente no relatório afirma que ela  foi brutalmente assassinada  e tinha marcas de estupro", afirmou o cabo PM Vitorino.




BASTOS, Patrícia. VIOLÊNCIA. Jovem é morta a tiros em Girau do Ponciano. MÁRCIA MARTINS, 19, ESTAVA DESTALANDO FOLHAS DE FUMO QUANDO FOI SURPREENDIDA PELOS DISPAROS; POLÍCIA SUSPEITA DE CRIME PASSIONAL. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 07 out. 2011, p. 16

Arapiraca - A polícia de Girau do Ponciano suspeita que о assassinato da jovem Márcia Dantas Martins, 19, foi crime passio­nal. A vítima foi executada com vários tiros no final da tarde da última quarta-feira no sítio Serrinha 2, localizado na zona rural do município.
Conforme informações colhidas pela Polícia Militar, Márcia Dantas estava destalando fumo em um galpão ao lado da casa dos avós quando foi surpreendida por dois homens armados, que deflagraram vários tiros de revólver calibre 38, que atingiram principalmente a cabeça da jovem, que morreu antes de receber qualquer tipo de socorro.
Moradores da região chegaram a ver dois homens usando capacete, fugindo em uma motocicleta de cor escura, após os ti­ros serem ouvidos. Uma guarnição da PM fez rondas na região, na tentativa de identificar os assassinos a partir da descrição feita por populares, mas não obteve êxito. O corpo da vítima foi encaminhado para о Instituto Médico Legal de Arapiraca e liberado para sepultamento na manhã de ontem.
Segundo policiais civis de Gi­rau, os primeiros levantamentos sobre о caso apontam que a jo­vem foi vítima de crime passio­nal. Ela estava separada do companheiro recentemente e ele teria feito ameaças. "O ex-companheiro teria dito que se eles não voltassem, ela não viveria com mais ninguém", afirmou um policial civil.
A polícia esteve, na manhã de ontem, no endereço do suspeito - cujo nome não foi revelado para não prejudicar as investigações - mas ele não foi encontrado. Apenas a partir da próxima semana é que о depoimento de testemunhas e familiares deverá ser ouvido.

INHAPI
No município de Inhapi, outro crime com características passi­onais está sendo investigado pela polícia. Por volta das 19h de quarta, José do Carmo da Silva, 20, foi atingido рог três tiros. O jovem foi socorrido рог uma ambulância e recebeu os primeiros socorros na Unidade de Saúde de Mata Grande, antes de ser transferido para о Hospital Clodolfo Rodrigues, no município de Santana do Ipanema.
Segundo a PM de Inhapi, о sus­peito de atirar contra a vítima e identificado como Josivaldo Alves de Oliveira, morador do povoado Promissão, que teria sido motivado por ciúmes. O acusado viu a namorada conversando Jo­sé do Carmo e eles tiveram uma discussão, antes de Josivaldo sacar a arma e atirar na vítima. A polícia foi ao encalço do acusado, mas ele já havia fugido da cidade. O estado de saúde de José do Carmo era considerado grave.




AMARAl, Flávia. Mais de 16 mil mulheres foram violentadas em Alagoas. Saldo do período entre 2008 e 2010 foi apresentado ontem pelo governo. Tribuna Independente, Maceió, 07 out. 2011, p. 12.

Foram 16.321 registros de violência contra a mulher em Alagoas entre os anos de 2008 e 2010. O número pode parecer alto, mas quem lida diariamente com a temática afirma que o índice não reproduz nem de longe a realidade na Capital e no interior do Estado.
"Muitas mulheres ainda não sabem sequer onde podem denunciar agressões e isso no interior do Estado é ainda pior”, ressaltou a secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Kátia Born, durante encontro, ontem, no Maceió Mar Hotel.
O evento reuniu um "pacote” de medidas que serão apresentadas na III Conferência Estadual de Politicas para as Mulheres, no próximo dia 10, no Centro de Cultura e de Exposições Ruth Cardoso.
No total,  75% dos municípios alagoanos foram visitados para que as mulheres apontassem suas  necessidades quanto à implementação de políticas públicas. Entre as propostas comuns às regiões estão: estruturação de delegacias regionais especializadas, creches e qualificação para as mulheres que trabalham na  zona rural.
Além dos pontos de discussão, a secretária destacou a ansiedade feminina durante os encontros. "Elas trabalham, cuidam dos filhos, da família e querem ser respeitadas. Esse é o objetivo de todo este debate", assegurou. Para a secretária, "a mulher não pode continuar apanhando" e toda essa mobilização será não só de propostas, mas de execução. "Daqui vão sair muitas ideias que chegarão às mãos da presidenta Dilma e medidas serão   adotadas", afirmou.
A defesa de um  Conselholho para tratar do tema em cada município também deve ter feita durante a conferência. Eles funcionariam como pontos de apoio e informação para as mulheres vitimas de violência.
            Ainda de acordo com dados divulgados no encontro, de 2008 a 2010 foram 322 ocorrências  envolvendo homicídios contra a mulher.

IMPRENSA

Durante o evento, Kátia Born ressaltou a importância de a imprensa ser um canal entre a mulher e a assistência especializada, principalmente no interior. "Muitas delas ainda nao sabem onde buscar apoio e as rádios, por exemplo, podem ser uma ponte para informar essas   mulheres", sugeriu.
O saldo das conferências municipais e estaduais serão subsídios para debate mais amplo, na  Conferência Nacional, de 12 a 14  de dezembro.




CARVALHO, Severino. ЕМ DELEGACIA. Mulher é presa ao esconder droga. TABLETES DE MACONHA ESTAVAM DENTRO DE TUBO DE COLA; ACUSADA FOI FLAGRADA NA REVISTA. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 07 out. 2011, p.17.


Maragogi - Simoneide de Barros Santos, 18 anos, e José Cícero Lo­pes da Silva, о "Zé do Lixão", foram presos e autuados роr tráfico de entorpecentes pelo delegado de Maragogi, José Carlos Sa­les. Segundo a Polícia Civil, ela tentou ingressar na carceragem da Delegacia Regional, em Matriz do Camaragibe, na região Norte do Estado, com cinco tabletes de maconha contidos dentro de um tubo de cola. A droga (94 gramas) seria entregue ao detento José Adriano da Silva, preso acusado de matar Ezequiel da Silva Gomes, crime ocorrido na Favela do Risca Faca, em Marago­gi, em julho passado.
"A cola seria para ser utilizada na confecção de origami, peças artesanais feitas de papel pelos presos da regional, mas os agentes de plantão detectaram a dro­ga e a prenderam", contou о escrivão de Polícia Civil da delegacia de Maragogi, José Enilson Júnior. Segundo ele, Simoneide ficou presa já na delegacia de Matriz, logo após os agentes detectarem a droga durante a revista.
Já Zé do Lixão foi detido em Maragogi, após Simoneide confessar que este lhe pagara R$ 40 para que levasse a droga até о amigo, José Adriano, preso na carceragem da Delegacia Regio­nal, e mais R$ 16 para a passagem do transporte alternativo de Maragogi a Matriz do Ca­maragibe. Zé do Lixão foi levado ontem ao Instituto Médico Le­gal (IML) Estácio de Lima, em Maceió, onde passou por exame de corpo de delito. Em seguida, о acusado foi levado a Delegacia Regional, onde ficou detido.
De acordo com Enilson Júni­or, tanto Zé do Lixão como José Adriano, que receberia a droga, seriam traficantes subordinados ao "chefe" José Maciel da Silva, conhecido como "Veio", também recolhido a carceragem da Dele­gacia Regional. "Os dois são distribuidores do Veio", afirmou о policial.




BATISTA, Flávia. VIOLÊNCIA. Mais de 100 mulheres assassinadas em 2010. O JORNAL. Maceió, 11 out. 2011, p. 10

A necessidade de planejar ações de combate à violência contra a  mulher alagoana foi um dos temas discutidos ontem, durante a terceira Conferência Estadual de Políticas para Mulheres, que reuniu centenas de represen­tantes dos 102 municípios do Estado para traçar metas e estratégias.
Alagoas ainda é um Es­tado onde a violência domés­tica é encarada como um forte traço cultural, segundo ava­liou Solango Viégas, superintendente de Políticas para Mulheres, da Secretaria da Mulher. "Durante as confe­rências regionais que aconte­ceram desde agosto, pudemos perceber que muitas mulheres são vítimas da violência e poucas assumem que ela é co­metida pelos maridos e com­panheiros. Estas mulheres se calam por muitos motivos e um deles é a vergonha", expli­cou a superintendente.
Segundo dados oficiais do estado de Alagoas, em 2010 quase 6 mil casos de violência contra a mulher foram regis­trados em Alagoas. Destes, 123 se transformaram em ho­micídios. O dado pode, ainda, ser maior, já que segundo Solange Viégas, em muitas lo­calidades do Estado, inclusi­ve na capital, o sub-registro é uma realidade que atrapalha as estatísticas. "Alagoas só tem três delegadas especializadas em crimes contra a mulher. Duas em Maceió e uma em Arapiraca. E isso pode inter­ferir nas queixas, nas denún­cias", afirmou.
Estatisticamente, as mulhe­res têm se tornado vítimas mais frequentes da violência em Alagoas. Em 2008, 86 homicí­dios foram registrados; em 2009 foram 113 e, no ano passado 123. Setenta por cento destes casos se referem a crimes co­metidos dentro de casa, pelos maridos. Os outros 30% estão relacionados ao tráfico de dro­gas e outras ações criminosas às quais elas estão ligadas.
A ideia de que a violência contra mulher é uma questão maior do que simplesmente combater às agressões sofri­das pelas mãos dos compa­nheiros está fortalecendo a ne­cessidade de capacitar 716 profissionais para formar a Rede de Atendimento da Mulher Vítima de Violência. A partir da formatação da equipe que inclui profissio­nais que atuam em delega­cias, hospitais, órgãos do Estado e dos municípios, novas estratégias serão pos­tas em prática. A partir desta rede, a mulher receberá orien­tação e, em casos de violência, receberá o atendimento correto e será encaminhada para o lugar que dará o tratamen­to correto".



SALSA, Davi. Laudo diz que sargento tem sanidade mental. Resultado fez juiz citar acusado de incendiar casa onde dormiam mulhe e enteada. Tribuna Independente. Maceió, 11 out. 2011, p. 11.

Acusado de ter planelado e provocado o incêndio que matou a esposa, a professora Claudenice Oliveira Pimentel, no dia três de agosto deste ano, o sargento da Polícia Militar, José Cabral do Nascimento, foi submetido, na manhã de ontem, a uma avaliação psicológica.
O exame foi determinado pelo juiz da 5ª Vara Criminal de Arapiraca, Anderson Santos. De acordo com o magistrado, o laudo aponta plena sanidade mental do acusado. O militar chegou a ir para audiência, onde seria ouvido, mas demonstrou estar com problemas de ordem psicológica.
Logo após o resultado do laudo, ontem, no final do dia, José Cabral foi citado pelo juiz e a defesa dele tem 10 dias para apresentar contra-argumentação.

EXAME
Ontem de manhã, o militar foi, sob escolta policial, e dentro de uma ambulância, até o Centro de Apoio Psicossocial de Arapiraca (Caps), localizado a poucos metros do Fórum de Arapiraca.
O sargento foi avaliado pela psiquiatra Neide Vital em exame que durou mais de uma hora. José Cabral do Nascimento estava acompanhado de dois irmãos e do advogado Raimundo Palmeira.
Depois de ser avaliado pela médica, Cabral foi recolocado na ambulância e retornou ao Fórum de Arapiraca.
O laudo médico foi aguardado com expectativa pela defesa e pela policia. Há cerca de duas semanas, o delegado Robério de Lima Ataíde decretou a prisão temporária do sargento, que na época em que ocorreu o incêndio ainda era cabo da Polícia Militar.
De acordo com as investigações do delegado, que chegou a ouvir o depoimento da jovem Keroly de Oliveira Pimentel, 15, filha da professora Claudenice Pimentel e enteada do acusado, existem fortes indícios da participação dele no incêndio que provocou a morte da professora e graves queimaduras na adolescente. José Cabral também sofreu queimaduras pelo corpo e passou vários dias internado em um hospital.
Após a alta médica, a Justiça acolheu o pedido do delegado e decretou a prisão temporária do sargento,  que encontra-se detido no Quartel Geral da Polícia Militar, em Maceió.
Por conta das queimaduras, que, segundo o advogado Raimundo Palmeira, ainda não cicatrizaram por completo, o estado de saúde do sargento é preocupante.
Palmeira afirma que as condições estruturais e de higiene do Quartel da PM não favorecem à recuperação de seu cliente e, por isso, ele vai pedir a transferência de Cabral para um hospital.


BLEINE, Oliveira. MARECHAL DEODORO. Manicure é morta a tiros na porta de casa. MARTA SEMEÃO FERREIRA, 44, PASSEAVA СОМ О CACHORRO QUANDO FOI BALEADA; EX-MARIDO TERIA FEITO AMEAÇAS À VÍTIMA E SERÁ INVESTIGADO. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 13 out. 2011, p. 16

Em estado de choque, os familiares da manicure Marta Semeão Ferreira, de 44 anos, não sabem a quem atribuir seu brutal assassinato. Ela foi morta a ti­ros, na noite de terça-feira (11), enquanto passeava com о cachorro de estimação na frente da casa onde morava, em um sítio no povoado Campo Grande, em Marechal Deodoro.
Os familiares estavam, ontem de manhã, no Instituto Médi­co Legal (IML) Estácio de Lima, em Maceió, e mostraram revolta com о crime. "Além da surpresa, estamos indignados com essa brutalidade. O que podemos fazer é pedir que a polícia descubra quem fez isso", declarou, chorando, Talita Ferreira, de 39 anos, irmã da vítima.
Ao lado de um dos filhos de Marta Semeão, de outros parentes e amigos, Talita destacou as qualidades da irmã, "uma pessoa tranquila, educada, de quem todos gostavam e admiravam a dedicação ao trabalho e a família". Em choque diante da tragédia, о filho evitou falar. Disse apenas que não tinha a quem apontar como responsável pelo assassinato da mãe.
Policiais da 5a Companhia Independente da Polícia Militar, em Marechal Deodoro, fizeram os primeiros levantamentos. Não há testemunhas, mas alguns vizinhos disseram à polícia terem visto um veículo modelo Celta, cor prata, saindo do sítio onde Marta Semeão morava.
Uma vizinha contou a família que, após ouvir os disparos, abriu a porta e viu a vítima no chão. "Me ajude!", teriam sido as últimas palavras de Marta, que morreu no local.
Nos primeiros levantamentos, agentes da 5я Cia. descobriram que о ex-marido de Marta, cujo nome não foi revelado mas seria um pedreiro de nome José, não aceitara a separação e fizera ameaças a ela. O casal estava separado há cerca de dois anos.
Também residindo em Marechal Deodoro, о ex-marido da ví­tima estaria desaparecido. Até ontem, familiares não haviam conseguido falar com ele para informar da morte da ex-mulher. O bar de sua propriedade e a casa onde mora estavam fechados, e о telefone celular desligado.
A investigação ainda não foi iniciada. O caso foi registrado na Central de Polícia, em Maceió, devendo ser encaminhado para a delegada de Marechal.
Naquele município, localizado a 30 quilômetros da capi­tal, a PM iniciou uma operação de combate a criminalidade on­tem. Segundo о tenente Wenderson da 5ª Cia., о policiamento foi reforçado em vários pontos da cidade e na região da Praia do Francês, um dos atrativos turísticos do Estado.
"Em função do feriado (on­tem), há um fluxo intenso de veículos e pessoas, рог isso temos mais viaturas nas ruas", disse о oficial.
As seis viaturas da 5ª Companhia Independente ganharam о reforço de mais duas unidades do Comando de Policiamento da Capital (CPC). Com isso, a PM inicia a Operação Verão.


ALVES, Thallysson. EM MACEIÓ Mulher é raptada no Centro e estuprada. O JORNAL. Maceio. 18 out 2011, p.12.
Uma mulher, que não quis revelar sua identidade, foi rap­tada, ontem, por dois homens nas proximidades da Igreja dos Martírios, no Centro, e le­vada até um terreno situado no Tabuleiro do Martins, onde foi estuprada dentro do pró­prio carro. Segundo a Polícia Civil, após o crime, os dois desconhecidos abandonaram a vítima e fugiram. Existem também relatos de roubo de objetos pertencentes à vítima; entretanto, a assessoria da mesma polícia não soube con­firmar.
De acordo com a polícia, a vítima tem idade superior a 30 anos e estava caminhando até seu carro, estacionado em uma das ruas próximo à igre­ja. No momento em que iria entrar no carro, os dois ho­mens, ainda não identificados, a bordaram e a obrigaram a entrar no carro.
No depoimento, a mulher descreveu o medo que sentiu quando desconhecia seu destino. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, os criminosos a levou até um terreno após o Presídio Baldomero Cavalcanti, senti­do Aeroporto Zumbi dos Palmares, e a estupraram. Após a violência, os estupradores a abandonou dentro do próprio veículo e fugiram - a vítima não soube informar se partiram a pé ou motorizados.
Questionada sobre a pos­sibilidade de a vítima também ter sido assaltada, a assessoria de comunicação da Polícia Civil disse desconhecer a exis­tência de mais esse crime. Apenas informou que, após ser violentada, a mulher foi até a casa de familiares e, em seguida, denunciou o caso ao delegado plantonista da Cen­tral de Polícia, Vinícius Mar­tins Ferrari.
Na Central de Polícia, um Boletim de Ocorrência (BO) foi confeccionado. O caso será en­tregue à delegada Paula Mercês, titular da Delegacia de Defesa dos Direitos da Mulher I (DDM-I).


ROSA, Láyra Santa. IML. Mulher espancada espera 6h por exame. O JORNAL. Maceió, 18 out. 2011, p. 9
Os casos de violência do­méstica não param de crescer em Maceió. Na madrugada de ontem, foi a vez da dona de casa Cláudia Iracema Nunes Mar­tins, 36, ser agredida pelo ma­rido, identificado como Cláu­dio José dos Santos, 41. Ele cor­tou o cabelo da esposa, bateu no rosto, rasgou as roupas dela e ainda ameaçou matá-la. Com medo, ela saiu correndo enro­lada com plásticos até a Central de Polícia, no bairro do Prado, onde denunciou o marido agressor.
A violência aconteceu na re­sidência do casal, na Rua Almi­rante Barroso, no bairro do Farol, após uma discussão. De acordo com o relato da vítima em depoi­mento à polícia as agressões e ameaças eram constantes, porém por vergonha, a esposa não tinha coragem de denunciar o marido.
Após o depoimento da víti­ma, a delegada Maria Apare­cida de Araújo determinou que as equipes da 22a Delegada de Polícia, fossem até a residência do acusado para prendê-lo em flagrante. Cláudio José dos Santos foi autuado com base na Lei Maria da Penha, por violên­cia doméstica.
Só que o drama em torno da agressão contra Cláudia Ira­cema não parou por aí. Ainda na madrugada, após prestar queixa, ela foi conduzida por policiais do 22a DP para o Ins­tituto Médico Legal, onde deve­ria fazer exame de corpo e de­lito. Ferida, após apanhar do marido, ela ficou seis horas es­perando atendimento. O fato é que a médica plantonista do dia não estava em seu local de  tra­balho.
"Chegamos ao IML por volta das três horas. A mulher, que foi vítima da violência, estava muito abalada e precisava ser logo atendida. O problema é que a médica de plantão da madru­gada não estava. E pela manhã, quando o outro médico chegou, ele disse que iria fazer primeiro as sete necropsias do final de se­mana, para só depois atendê-la. Um desrespeito com os policiais que estavam de plantão e com a vítima da violência", disse um dos policiais, que preferiu não se identificar.
Na manhã de segunda-feira, a equipe de O JORNAL esteve no IML e encontrou Cláudia Ira­cema aguardando pelo exame. Muito abalada, ela preferiu não falar sobre as agressões, mas confirmou a espera por atendi­mento desde a madrugada. "So­bre a agressão já disso tudo na delegada. Mas estou esperando o médico já há muito tempo", falou.
Essa não é a primeira vez, que médicos do IML deixam o plantão na madrugada, recla­mando da falta de estrutura no órgão. Em agosto, um outro pro­fissional passou a responder a procedimento administrativo pelo mesmo motivo e sempre que isso acontece, gera impasses com a Polícia Civil, que se diz prejudicada pela demora na realização dos exames.
O diretor do IML, Gérson Odilon até o final da manhã de ontem, ainda não tinha sido co­municado pela falta da médica. "Não estava sabendo que isso voltou a acontecer. Não fui co­municado sobre a falta. Vou ave­riguar a situação e vamos fazer um oficio, para pericia Geral co­municando a situação, para que eles tomem os caminhamentos necessários", informou.


DONA DE CASA É ESPANCADA PELO MARIDO.  O JORNAL, Maceió, 29 out. 2011, p. 25.

A dona de casa Alexsandra Oliveira da Silva, 33, foi es­pancada pelo ex-companheiro, José Aparecido França, 28, na noite da quinta-feira (27), na porta de uma lanchone­te localizada no Residencial Mandacaru, no bairro Bom Sucesso, em Arapiraca, no Agreste alagoano.
A vítima informou que es­tá se separando do acusa­do, mas ele não aceita o fim do relacionamento e sempre age com violência contra ela. Alexsandra foi atacada quando subia em sua motocicleta para ir para casa.
"Ele tentou me derrubar e me bater, mas eu consegui chegar em minha residência", declarou a vítima. Ao tentar entrar em casa, Alexsandra da Silva foi atingida com socos e empurrões.
Os vizinhos da dona de casa chamaram a Po­lícia Militar (PM), mas o acusado conseguiu escapar. O caso vai ser investigado pela polícia civil.



CARVALHO, Severino. FLAGRANTE. Acusados de violência são presos. ADELMO ALVES TERIA AGREDIDO COMPANHEIRA E PAULO JOSÉ ESTUPRADO ENTEADA DE 15 ANOS. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 20 out. 2011, p. 15.
Maragogi - Adelmo Alves da Sil­va, 24 anos, e José Paulo da Silva, 46, foram transferidos ontem da Delegacia de Polícia de Maragogi para a sede da Regional, em Ma­triz do Camaragibe, onde ficarão presos à disposição do Poder Judiiciário. O primeiro foi autuado em flagrante pelo delegado José Carlos Sales por crime de violência doméstica e o segundo, por estupro da enteada de 15 anos de idade.
Segundo relatou o chefe de operações policiais, Ítalo Mar­tins, os abusos sexuais ocorriam desde quando a adolescente tinha 13 anos. O padrasto convivia com a mãe da vítima há cerca de oito anos. "O último abuso acon­teceu na madrugada de terça-feira. Revoltada e chorando muito, a menina contou o caso à tia, que nos procurou e efetuamos a pri­são. Ele nega tudo", contou Mar­tins.
De acordo com o policial, a pri­são aconteceu no distrito de Bar­ra Grande, onde o casal reside. O acusado não esboçou reação.
A adolescente foi submetida ontem a exame de conjunção carnal no Instituto Médico Legal (IML) de Maceió e o padrasto a exame de corpo de delito, antes de dar entrada na delegacia regi­onal de Matriz.
Outro que passou por este mesmo exame foi Adelmo Al­ves. Ele foi preso na Favela do Risca Faca, periferia de Marago­gi após espancar a companheira com quem convive há seis anos, a gari Enedina Maria da Silva, 30. Ela foi agredida a socos e ponta­pés. Ainda com o braço na tipóia, prestou declarações ao delega­do, oportunidade em que confirmou as agressões.
"Ele já tinha batido em mim uma vez. Ontem [terça-feira], ele saiu com as mulheres para um banho de bica e não me levou. Quando fui reclamar, me bateu", disse, aos prantos, Enedina.
Adelmo Alves foi preso em um bar da favela e também não reagiu à prisão. Foi denunciado pelos vizinhos que presenci­aram as agressões e acabou au­tuado por crime de violência do­méstica com base na Lei Maria da Penha.
BATISTA, Flávia. OAB. Ação orienta sobre violência doméstica. O JORNAL. Maceió, 26 out. 2011, p.10
Levar a orientação para de combate à violência contra a mulher à praça pública pode ser о primeiro passo para inibir os casos registrados em todo estado. Durante о dia do hoje, a Comissão de Combate à Violência Doméstica da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) vai fazer uma ação de orientação e atendimento às vítimas da violên­cia doméstica.
A ideia é munir as mulheres de informação para que ela tenha consciência dos seus direitos e a quem procurar quando for vitimada. "Hoje em dia a mulher já tem mais noção dos seus direitos, do seu lugar na sociedade. Mas tanto em Alagoas, quanto nos outros estados nordestinos, о fato de о homem ser о grande provedor da família ainda deixa a mu­lher numa situação de dependência econômica que incentiva episódios de violência", explicou Milena Patury, presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB.
A violência, segundo a explicação de Milena Patury, é uma questão sobretudo de eco­nômica e, por isso mesmo, uma das formas de combate a esta prática é a qualificação da mu­lher e a inserção dela no mercado de trabalho. "Esta e uma das ações que pensamos como estratégia de combate à violên­cia doméstica", afirmou Milena.
Hoje a ação que tem como tema "Queremos ver você com outros olhos", começará às 9h na Praça Monte Pio. Serão tiradas dúvidas sobre violência do­méstiça, quais são as modalidades deste tipo de crime e que medidas de proteção a Lei Maria da Penha assegura para as vítimas.
A comissão da ОAB/AL também fará a distribuição de cartilhas educativas, que trazem informações dos locais que a vítima de violência domésti­ca deve procurar para denunciar о seu agressor.

ENTRELINHAS. DORMINDO СОМ ESTRANHO 1. O JORNAL. Maceió, 26 out. 2011, p. 12

Policiais militares do 3° BPM, sediado em Arapiraca, se depararam com uma ocorrência no mínimo inusitada na noite de segunda-feira, no Povoado Pé Leve Novo,
em Limoeiro de Anadia. Populares acionaram a polícia dando conta que um homem - aparentemente embriagado - agredia a companheira, que esta grávida. Chegando ao local, os militares foram informados pela vítima, Márcia Cícera Barbosa de Araújo, de 18 anos, que não houve agressão física, mas que seu companheiro havia agredido verbalmente com vários palavrões durante uma discussão.

DORMINDO СОМ ESTRANHO 2

A jovem afirmou, ainda, que vive com о companheiro há mais de um ano, mas о conhece apenas como "Galo Cego". A vítima foi orientada pelos policiais a procurar a Delegacia das Mulheres caso decidisse prestar queixa posteriormente. Já о acusado não foi encontrado na residência do casal pela guarnição policial.



FERRO, Iracema. Suspeita de liderar tráfico de drogas na Levada é assassinada. Com medo de represálias, moradores evitam falar sobre o crime. O JORNAL. Maceió, 29  out. 2011, p. 10.

Conhecida como a Rainha do Tráfico da Leevada e apelidada de Madonna, a ex-reeducanda Silvânia Mendes da Graça Rodrigues, de 43 anos, foi morta na noite da última quinta-feira, com seis tiros, na Rua 15 de Março, nas imediações do Mercado da Produção, Levada.
As informações iniciais são de que Madonna estava em casa com um de seus oito filhos quando cinco homens armado e encapuzados chegaram ao local num carro de cor escura, cujos modelo e placa não foram anotados. Três deles invadiram imóvel, efetuaram os disparos contra ela e fugiram em seguida. Toda a ação não teria durado mais de cinco minutos. De acordo com a Polícia, o filho da traficante não teria percebido o crime, já que havia acabado de consumir entorpecentes c estava tão drogado que não se deu conta do que acontecia em sua casa.
Os acusados do crime ainda não foram identificados pela Polícia. Na Levada, a "lei do silêncio" impera. Os moradores temem sofrer represálias ou pagar com a própria vida as informações dadas à Policia e, por isso, preferem se omitir.
Segundo o Instituto de Criminalística, os tiros atingiram a cabeça, pescoço e braços da vítima. Ela não teve chance de ser socorrida c morreu no local do atentado. Ela era considerada uma mulher perigosa e vingativa.
Além do tráfico de entorpecentes, Madonna era acusada de assaltos e homicídios. Ela passou cerca de um ano na Penitenciária Feminina Santa Luzia, após ser presa por determinação dos juízes da 17ª Vara Criminal da Capital, em 2010, por formação de quadrilha e tráfico de entorpecentes. Madonna foi presa no dia 30 de abril do ano passado após os magistrados expedirem mandados de prisão contra ela, uma irmã de Madonna, além de criminosos identificados apenas como Washington, Nito, Ferrugem e Leu. Os mandados de prisão haviam sido solicitados pelos promotores do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc).
Quando foi presa, Silvânia estava na companhia de um adolescente e foi flagrada com cerca de 30 pedrinhas de crack, cinco munições do calibre 38 e R$ 461 em cédulas de R$50, RS 20, R$10, R$5, R$2 e moedas.
De acordo com a investigação do Ministério Público, Madonna liderava as atividades ligadas ao tráfico de drogas, especialmente no seu auxílio material e logístico.
O caso está sendo investigado pela equipe do delegado Alcides Andrade. A principal linha de  investigação adota pela Polícia é de que assassinato esteja ligado à disputa pelo comando do tráfico na região da Levada. "Madonna tinha saído da prisão e estava retomando sua atividade criminosa", disse um agente da Polícia Civil, que pediu para não ser identificado.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

[Violência: Homossexual::Criminalização: Cidadania] Luiz Sávio de Almeida. Um desabafo sobre a violência nesta inefável Alagoas





Um pequeno bilhete sobre a violência

Luiz Sávio de Almeida


Estamos trazendo uma pequena reflexão sobre a violência em Alagoas. É interessante estarmos tropicalmente e, segundo alguns,  em plena pos-modernidade,  convivendo com uma poderosa Esfinge de cor grega fosca: Decifra-me ou devoro-te.  O decifrar sob pressão da morte passou a ser um quadro estranhamente cotidiano nas Alagoas. Onde estará o nosso Édipo? No governo, em vilegiatura, em qualquer um de nós ou devemos esperá-lo como um salvador que anda preguiçoso?



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ALMEIDA, Luiz Sávio de. Um desabafo sobre a violência nesta inefável Alagoas. Tribuna Independente. Maceió, 13 set. 2011. Contexto.
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 Um desabafo sobre a violência nesta inefável Alagoas

Luiz Sávio de Almeida

É interessante notar uma situação aparentemente trivial; sempre que algo vai podre neste reino da Dinamarca, reaparece a cidadania agônica, aquela que somente é argumentada na hora das agonias públicas. De repente, aquele que é empobrecido durante toda sua vida, passa a ser visto como o cidadão que deve ser chamado para ajudar – como peça indispensável –, na resolução do problema, ou seja: trazer o miserável para o palco e dar-lhe significação cidadã, quem sabe, num verdadeiro exercício de destruição do próprio senso constitucional.
Foi assim na cólera: de repente, a pobreza era chamada a saber como defecar com eficiência pública, ela, diga-se de passagem, que jamais teve condições para ser eficiente na privada.  O trágico é que há razão neste chamamento por mais doloroso que seja, embora ele tenha que existir envelopado em um pedido de perdão: Perdoe Grota do Índio; perdoe! Sem tal exercício de humildade, muito pouco poderá ser feito, especialmente quando se tem o clima gerado por anos de omissão pública.  A chamada elite alagoana tem que se debruçar junto às casas mal ajambradas que ajudou a construir e convencer que pode carregar um propósito honesto.
O Estado precisa se fazer acreditar. Se a mudança se desse em um circuito fechado, de muito se poderia ter resolvido as mazelas do sistema. Um objetivo social que se funda numa ideia de equação já está desmanchado antes mesmo de começar. A mudança precisa apelar para uma mentalidade e essa é a única possibilidade de fazer com que as chamadas “políticas públicas” saiam de reuniões e cheguem como prática efetiva às áreas do povo.

Por onde anda o problema da violência

É preciso que se comece a discutir um elemento singelo: o problema da violência vem sendo matéria de discurso ou de  ações capazes de encaminharem um princípio de solução? Em outras palavras, nós gostaríamos que fosse vencido o quase-dilema-público: o cidadão tem mais medo do traficante do que confiança no Estado? Não tenho, no momento, qualquer dúvida em dizer que sim e então: o tráfico vira, a bem dizer, um poder paralelo a somar as misérias de todos nós?
A grande vantagem nossa, é que os traficantes estão aparentemente atomizados, parecendo não haver possibilidade de um extenso pacto territorial. O crack trouxe a figura de um novo tipo de traficância. No buraco de uma grota vive aquele que semeia o farto da miséria entre sua própria gente. A modernização da droga foi conseguida de uma forma inteligentemente perversa: a multiplicação do nocivo a menor custo. E isso possibilitou uma multiplicação ad infinitum, pulverizando os territórios de controle até um limite do impulverabilizável. Qual é tal limite? Possivelmente, trabalhar tal questão termine por nos levar a ponderar sobre os  fundamentos que assentam a política, a economia e gestão da droga.
 Por tal caminho, notar-se-á a existência de uma coluna dorsal; isto parece  óbvio, mas ela distribui os riscos e os resultados nos diversos territórios. Se isto for verdade ou uma hipótese que deva prosperar, onde a dorsal estaria locada nas Alagoas? Poderemos ver para além do traficante que mata por vinte mil réis? Haverá um capo dos capi, a estrategicamente dividir para governar? Será que o caos do tráfico é aparente? Será que não se tem uma direção assentada para seus rumos? Será que a estratégia do desenvolvimento de territórios particulares não é uma maximização operacional e confunde e tira o enfoque na estruturação da dorsal?

A economia criminosa

Se dermos ao termo crime um sentido mais elástico, entendendo como criminosos os fatos que violentam a democracia, o ilegal em Alagoas pode ser bem mais poderoso do que o legal?   O que poderíamos chamar de economia da transgressão ou da economia política da ilegalidade pode estar concorrendo com muito mais força e peso nos remansos da renda e do produto do que a afirmação da legalidade?  O que poderia acontecer com nossa economia, na medida em que se desse uma repentina honestificação das Alagoas? Imagine-se tudo somado: a droga, a sonegação de impostos, o engabelamento dos direitos do trabalhador, a sonegação previdenciária, a lebre levantada por inúmeras operações que já foram executadas pela Polícia Federal, o assalariamento do compadrismo, o débito para com os serviços públicos, a pirataria e mais e mais... Tudo somado deveria dar uma cifra espantosa e assumir uma proporção imensa sobre o valor do Produto Interno Bruto.
Como se pode verificar, a droga é apenas um elemento no conjunto da ilegalidade e a seu lado correm esses vícios que estão, a nosso ver, carcomendo tanto como o próprio crack e tomara que não se perca o foco sobre eles, sob o argumento da importância do crack.  O combate à droga passa, portanto, pela renovação do Estado. Ele tem que se fazer respeitar pela população e tudo começa, novamente, pela necessidade de ser convincente ao pedir desculpas, ao dizer batendo no peito três vezes: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Miserere nobis. Agnus Dei qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem.  No arremedo de celebração que fizemos, está o caminho da integração, da comunitas a ser construída.  A droga para ser destruída requer um projeto de comunidade, requer um Estado e um povo andando no caminho da reconstrução. Comunidade não pode ser confundida com localidade. A consciência de que é possível ter-ser um mundo novo, é a essência da questão; mesmo que não se saiba como ele deva ser, tem-se que estar disposto a procurá-lo.

Alguns casos emblemáticos: o homossexual degolado

Alguns casos noticiados pela imprensa durante o mês de agosto são emblemáticos no que se refere à violência e o primeiro nos leva a pensar no risco que alguém corre ao ter uma vida homossexual em Alagoas. É o caso do Denilson professor e ator de teatro e homossexual assumido que terminou degolado.  Ele não é um caso fora do comum, é a repetição de anúncios e mais anúncios. Nossa vinculação com Denilson se deu durante sua participação em A Farinhada, onde fazia a personagem Chico Chalé.  Ele terminou vivendo o seu drama homossexual sem pescoço, numa brutalidade extraordinária.
Ser homossexual em Alagoas é situação de risco. Há uma intolerância fantástica percorrendo os estratos sociais e obrigando a que os gays adotem formas de vida que são perigosas, algumas das quais podendo ser fulminantes, mormente para os que vivem uma vida livre, construindo seus desafios pessoais.  A morte de Denilson cobra à consciência cívica de Alagoas, pede que se deixe os preconceitos de lado, que se entenda as diferenças como mais um motivo de aproximação e não de negação. Será que saberemos aprender com nossos mortos? Qual a razão de sermos tão perversos, ao ponto de negarmos a generosidade ao deixarmos o outro lançado na infâmia do preconceito?

Um segundo emblema: o tráfico esquartejante

Um segundo caso é diretamente ligado ao uso da droga e nos leva à dona de casa esquartejada no conjunto Carminha, onde, além da droga, entra o sórdido. Teria sido um recado da droga? Ela quer ser vista exatamente daquela forma? Para a droga mandar cometer aquele crime da forma como foi praticado, seria um desperdício de maldade. Ela sabe que é temida, sabe como resolve seus problemas, não seria estratégico provocar o sistema daquela forma: tiraram a senhora de dentro de casa, deram tiros, arrancaram o braço e anunciaram que ela era cabueta.
Será que a droga vai anunciando o terror? Pelo menos estamos diante de um sinal que permite a abertura da hipótese: é perigoso para ela deixar que isto aconteça no seio do seu próprio lupem.   O chefão pode perder o controle. Aqueles homens que mataram a senhora no Carminha, caso estivessem representando o tráfico na sua versão local, estariam obrigando o poder a agir de alguma forma inusitada e o Estado sentiu a necessidade de responder com algo de vulto, numa espécie de repetição alagoana do que foi o carioca do Alemão. Em outras palavras, a algo espetacular houve a necessidade de outro espetacular.  
A audácia do Carminha foi o traficante achar-se sem limite, e com a necessidade de mostrar um lado sádico do processo, que, pelo que conhecemos, não esteve tão escancarado antes. Daí: ou se dava uma resposta imediata, ou a sociedade mais uma vez procuraria o Estado e não acharia sequer o seu mínimo. Não vamos discutir se era necessário ou não, ocupar o Carminha. Jamais as autoridades que ordenaram a operação estariam de fuzarca pública. Mas acontece que o Estado ficou com outra batata quente na mão, à qual somente o iluminado do poeta pode ajudar a demonstrar: E agora José? O que faço com este Carminha que conquistei? Deixo, à guisa de ligação com o Estado, um soldado a trabalhar a chamada comunidade?
Nesta altura do campeonato, algum grupo tarefa já deveria ter sido constituído somando a área social do governo para um trabalho que tomando o Carminha como ponto, estivesse sendo irradiado para todo o complexo do Benedito Bentes. E isto somando as áreas municipal, estadual e federal.  Existe recurso? Sei lá! Alguém bastante objetivo diria: Se vire! Impossível não é! Neste caso de praticamente uma guerra urbana, antes de entrar tem que estar preparado para responder à angustiante questão: como ficar? Uma política de segurança tem que urgentemente saber como conquistar e como estar e, sem dúvida, ele não é apenas pensar na Polícia Comunitária, mas no desenvolvimento de área, melhoria mínima e essencial em seus níveis de vida e integrações urbanas.
A Polícia Comunitária não pode ficar como uma espécie de carteiro sem Correios. Existindo, deve ser lastreada com ações de Estado e com isso, a base do desenvolvimento social deve ser tomada como prioritária no Governo.  A arrancada da renda foi vista pela professora Ruth Cardoso e ampliada sensivelmente no Governo Lula com sua política de combate à fome: operar transferência de recursos, acesso a serviços, refazendo o perfil da pobreza deste país.

Um terceiro emblema: o crime na ESMAL

Muitas vezes saí exatamente por aquele mesmo portão com o seu Alfredo, algumas delas com José Malta Marques, querido amigo. Não era raro ficarmos conversando: Fátima Pirauá, Carlos Cavalcante, Dirceu, juízes e também amigos.  Malta Marques é Desembargador. Jamais, mas jamais mesmo, em tempo algum, passou pela minha cabeça que poderia estar na rota de tiros. Aliás, eu tinha confiança e muita, pois lá na frente do prédio estava uma espécie de atalaia policial, uma posição de vigilância de uma guarita; vizinho à direção que os tiros tomaram, estava uma espécie de Corpo de Guarda. Mas não era este fuzuê de segurança, o que me deixava tranqüilo. Agora vejo que era a sensação de o lugar ser inviolável, pois afinal de contas era uma escola e, por outro lado, uma escola especializada para atender a um dos maiores refinamentos de uma sociedade e que é seu corpo de juízes: Escola Superior da Magistratura de Alagoas. Ledo engano. Eu morreria sem saber que estava morrendo, da mesma forma como deve ter acontecido com o subtenente: morte de absoluta surpresa, quase inverossímil para quem morre.
É que o crime nivelou o espaço: ele não tem o sentido do que é público e do que é privado, quem sabe por pensar-se fora da sociedade civil e do Estado.  Por outro lado, os que atiraram no subtenente, jamais poderiam ter a ideia de que ali estava uma escola, ainda por cima superior, e ainda por cima da Magistratura. Pelo o que se sabe, o que interessava era a arma, um objeto a ser roubado como eles roubariam em qualquer situação. Então, para o crime, o espaço é homogêneo, enquanto nós temos, por dever constitucional, de pensarmos nas heterogeneidades: nós temos um daqui para ali e eles não têm o de lá para cá. Tanto faz para ele, que seja uma Escola Superior da Magistratura, que seja uma Escola Rosalvo Ribeiro, que seja um bar da subárea da orla, o carro do Denilson, a casa no Carminha...  Restam as expressões que aprendi, ao ler história em quadrinhos no meu tempo de menino: Pelas barbas do Profeta! Macacos me mordam!
Mais eruditamente, prefiro lembrar de Cícero e suas Catinilárias e a primeira ainda conservo na cabeça na ordem direta e indireta, uma das condições para passar no vestibular de Direito do meu tempo. Lúcio Sérgio Catilina deu trabalho e acho que o espírito dele anda solto nas Alagoas: Quosque tandem, Catilina, abutere patientia nostra. Tradução: Até quando enfim, Catilina, você vai ficar enchendo o nosso saco?  Quem responderá? Quem poderá falar em nome de Catilina?
Foi natural que o espanto chegasse ao Poder Judiciário; de uma hora para outra, ele que é um dos três poderes, viu-se na categoria de qualquer um, absolutamente posto na equalização que o universo do crime operacionaliza. O Estado vem sendo atingindo por todos os lados, até mesmo na corporação policial, pois são inúmeros os registros de presença de policiais em episódios criminosos. Alguns juízes vivem sob proteção; as escolas são roubadas e arrombadas, os Correios deixam de realizar trabalho por conta da senda dos carteiros. Somos todos um mundo estreitado pelo crime que vai do pequeno ao grandola.
E o cidadão vai sendo minado. Por exemplo, eu somente fico parado em um sinal de trânsito quando realmente é impossível romper a proibição de seguir.  Não confio, especialmente à noite, a partir das 20 horas.  De repente – e ainda como ilustração – recupero as regras que meu pai me havia ensinado, por conta de outras situações e que muitos de minha geração devem ter ouvido: Cuidado com esquina! Não dobre uma esquina de peito aberto, parta para o outro lado da rua! Cuidado com banca de revista! Nunca puxe arma; somente use se tiver coragem, mas pelo amor de Deus não teste; é preferível ser frouxo.
 E continuavam os anúncios da segurança paternal: O cemitério está cheio de valentão. Se desejar matar a cobra, esteja disposto a arrancar-lhe a cabeça, se não a arte do Cão aparece e a cobra pode se armar novamente contra você... Nisso misturo fala de pai com fala de tio e por aí seguia o aprendizado da sobrevivência e o arsenal de anos de experiência familiar e pública que passa por minha cabeça a todo o momento em que estou na rua nesta espécie de sempre alerta perverso a que somos obrigados a viver. Dois filhos já foram assaltados e mais de uma vez e vejo-me repetindo – esperando que sirva – para seus ouvidos a mesma poética que ouvi de meu pai ao dar-se trato sobre minha segurança pessoal.
É o próprio Estado que se vê vítima em seus serviços; uma Universidade Federal de repente encontra dois cadáveres em um dos seus campi; é uma Escola Rosalvo Ribeiro que de repente sente os tiros e morre seu vigilante. O crime desta forma parece estar em condições de conter o Estado Nacional, desalojar seus serviços e, também, interfere na organização da sociedade civil, traçando regras, pondo limites, cobrando ao cidadão pelo uso da via pública, tendo, portanto, o poder de taxar e ir construindo a sua própria legalidade ao, inclusive, manter seus tribunais e padrões de julgamento.
Às vezes penso que estou aumentando, carregando nas cores; eu jamais poderia dizer que se encontra nascendo um Estado paralelo, pois seria forçar a barra, mas sem dúvida sinto uma organização contraditoriamente amorfa e difusa, com o poder suficiente para ditar parâmetros de comportamento. É como se eu obedecesse bem mais ao crime do que o Estado, porque os seus sinais de segurança eu não encontro. Paro o carro olhando a rua, vendo as pessoas, pré julgando pela aparência, incorporando preconceitos e na verdade, eu me sinto avacalhado pelo crime como se eu estivesse criminalizado pela interferência e incidência que ele passou a ter no meu cotidiano.  Não me sinto tranquilo quando um filho sai à noite. Há um trato: se for demorar, telefona e me diz. Não quero saber onde está e nem com quem está; isso pertence a eles, mas quero saber se demorarão.
Cidadão e querido leitor: o que acontece com você e a violência? Será que você romanamente aceitaria uma Delenda Carthago transformada em Delenda  Droga, onde a palavra fica com pinta de primeira declinação: droga, droga, drogam, drogae, drogae, droga.  Bom, bem mais simples é  injuriar-se: Esta droga é uma droga!.