quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

[HISTÓRIA: RELIGIÃO: IGREJA LUTERANA] ANTUNES, Márlon Hüther. Igreja Luterana – um marco na história do Cristianismo






Esta matéria foi publicada no tablóide Contexto do jornal Tribuna Independente, Maceió, na edição de  30  de Outubro de 2011




Um pequeno bilhete sobre a liberdade religiosa



            A formação de uma consciência social e especialmente a montagem da ciência social, passa pela reforma como um de seus marcos centrais, na medida em que Lutero desabilita a posse do conhecimento das mãos oficiais e habilita uma investigação pessoal dos fundamentos da verdade. Passa tempo, segundo entendemos,  para que dois acontecimentos de monta apareçam  somando seus efeitos na construção do atual: a revolução francesa e a industrial. Conhecer Lutero é básico pelos fundamentos históricos e políticos que ele representa. A reforma lançou a busca da verdade fora dos padrões oficiais de controle; a revolução francesa mostrou que a organização política da sociedade cabe ao povo e não a um direito sagrado de transmissão do poder;  a revolução industrial criou a figura  política  do operário.         

            Portanto, jamais se poderá ignorar a marca histórica que foi a iniciação da reforma e da Igreja que diretamente evoluiu em parte da tradição germânica. É incrível ver o tempo entre Lutero e a Igreja Luterana em Alagoas. Ela existe e é recente, mesmo para os padrões de encontro de Alagoas com o protestantismo  que começou a ser desenhado pelos finais do século XIX.

Contexto acha que o protestantismo  em Alagoas deve estar publicamente visível em nossa história, pelo lugar que desempenha. Vamos ler um pouco sobre a Igreja Luterana. 

Contexto agradece à Congregação Cristo Redentor pela fidalguia do diálogo



Luiz Sávio de Almeida









"Hier stehe ich. Ich kann nicht anders".

(Aqui estou. Não posso renunciar).



Lutero



Há 494 anos, no dia 31 de Outubro de 1517, a Igreja Cristã passava por um marco em sua historia. O que acontecia ali mudaria todo o conceito de fé, salvação e igreja. Influenciando Estado, economia, e até mesmo a educação. O mundo nunca mais seria o mesmo!
Este marco na história conhecido como a Reforma Protestante, teve como principal agente, o doutor em Teologia Martinho Lutero. Ele, ex-padre católico que viveu na idade média (1483 –1546) e que inconformado com a prática abusiva adotada pela Igreja de sua época, resolveu defender os princípios bíblicos fundamentais da igreja cristã, combatendo assim, um longo período de escravidão, corrupção e inanição - em nome da fé. As bases da Reforma não eram novas, antes, eram as verdades eternas de Deus, como reveladas na Bíblia.
            Tudo começou quando Lutero, preocupado com a salvação eterna, descobriu que havia representantes da igreja (católica) negociando supostas cartas de perdão dos pecados por dinheiro, chamadas “indulgências”. Convicto de que isso era abuso de clérigos corruptos, Lutero escreveu um manifesto com 95 afirmações (teses) contra a venda de perdão, e o pregou na porta da igreja do Castelo de Wittenberg (Alemanha), no dia 31 de outubro de 1517. Esta data passou a ser considerada o Dia da Reforma. Nestas afirmações Lutero procurou mostrar que Deus perdoa de graça a quem crê em Jesus Cristo, e que ninguém pode comprar o perdão de Deus ou conquistá-lo por méritos ou esforços próprios.
            A causa última da Reforma não foi o comércio de indulgências, e sim, o tamanho do abuso com as coisas sagradas. A pergunta fundamental que Lutero se fazia era: “Qual a autoridade suprema em assuntos de religião e consciência?” O exame da matéria, à luz dos ensinamentos divinos, devia provocar - como de fato provocou - a restauração da igreja na sua pureza primitiva. 
            As obras de penitência representavam a base das indulgências, como as orações, jejuns, esmolas e outras, que podiam ser substituídas pelo pagamento de determinadas somas em dinheiro. Esta era uma forma de barganhar com Deus e de manipular as pessoas. A Igreja, cristianismo, precisam de reforma!
Para o reformador, Deus nos aceita como justos somente quando nos arrependemos de nossos pecados, cremos e confiamos em Jesus Cristo. “Justificados pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo(Romanos 3.20). E esta fé sim, leva necessária e espontaneamente a produzir boas ações, assim como a árvore saudável produz bons frutos. O ensino adotado pela igreja da época era justamente o oposto: através das virtudes e boas obras as pessoas conquistavam a graça de Deus por merecimento, deixando de confiar na obra de Jesus e passando a confiar em suas próprias obras; atitude totalmente oposta descrita na Epístola aos Efésios: Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la” (Efésios 2.8,9).
            Em conseqüência disso, Lutero recebeu uma ordem do Papa exigindo que se retratasse de suas afirmações, fato que comprovava que o próprio Papa estava por trás desses abusos. E, diante de sua recusa, foi excomungado. Sua intenção não era fundar uma nova Igreja, mas sim, uma reforma na Igreja que ele amava. Mas não lhe restou alternativa, a não ser defender e anunciar a Palavra de Deus sob o principio da obra de Deus em Jesus Cristo. Estas verdades receberam grande adesão de lideranças e do povo em geral que estavam cansados de tamanha exploração e ansiavam por reformas. Estas pessoas, mesmo contra vontade de Martinho Lutero, passaram a se identificar e serem chamadas de “Luteranos” ou protestantes.
            As influencias mais significativas de Lutero foram:
            1- Traduziu a Bíblia para a língua do povo para a edificação de sua fé. Defendeu que a Bíblia é suficiente e completa como fonte de doutrina, norma de fé e vida. Decretos papais, instrução em lendas e tradições só afastavam as pessoas da verdade divina.
            2- Determinou que a pregação fosse na língua do povo, e não mais em latim.

            3- Incentivou a criação de escolas para que todos pudessem aprender a ler e escrever. Sua orientação era que ao lado de cada igreja existisse uma escola.
4- Restaurou o Sacramento da Santa Ceia. Negar o vinho aos comungantes, conforme prática da Igreja Romana, significava um flagrante desrespeito ao testamento de Jesus Cristo. Jesus expressamente acentuou: “Bebei dele todos” (Mateus 26.27).
5- Defendeu o direito de cada paróquia ou congregação chamar ou demitir seus pastores, em assembléia geral, favorecendo o processo democrático na Igreja.
 6- Combateu a prática da oração aos santos e à Maria, por ser Cristo o único intermediário entre Deus e os seres humanos, conforme a Bíblia em 1ª Timóteo 2.5. Os santos ou cristãos consagrados devem ser bom exemplo de fé para seguir, tendo sua memória preservada, mas não ser colocados na posição de intermediários entre nós e Deus.
7- Valorizou o trabalho do cristão na sociedade. Tanto o trabalho profissional, como a busca de soluções para os problemas sociais, é trabalho que agrada a Deus, pois serve ao próximo.
8- Fez divisão entre Igreja e Estado, defendendo um Estado laico. Ou seja, administrado pelo povo e não pela igreja.
           
            Em virtude dos seus múltiplos dons e sua produção teológica, Lutero recebeu destaque na revista americana Life que efetuou uma pesquisa a respeito de personagens que marcaram o milênio (1001-2000). Levou-se em consideração quantas pessoas um determinado acontecimento afetou e que diferença fez na vida cotidiana delas. Os resultados da pesquisa de vinte jornalistas e de especialistas em quase todas as áreas do conhecimento, foram publicados no Brasil pela revista Veja, Edição Especial do Milênio (12/2001): Em primeiro lugar Johann Guttenberg, que se destacou com a impressão da Bíblia; em segundo lugar Cristóvão Colombo, que abriu as portas para que o mundo se transformasse numa aldeia global; em terceiro lugar Martinho Lutero, pela sua contribuição a toda sociedade através do movimento da Reforma.
Segundo a Revista Escola (edição 022, 2008) Martinho Lutero é “o autor do conceito de educação útil” que vendo a realidade abusiva e de abandono do sistema educacional na Idade Média, sugeriu uma concepção de educação que visasse à formação de um ser humano integral. Para ele a educação em primeiro plano, é tarefa dos pais, mas compromisso principal e fundamental das autoridades em todos os níveis, sendo necessária uma estrutura social que garantisse esse acesso indistintamente para todas elas, com gente especializada e mantida comunitariamente, tarefa do Estado. Além do mais combateu a educação repressiva, introduziu o lúdico na aprendizagem e lutou por boas bibliotecas.


Verdades preservadas integralmente no Brasil, depois de quase 500 anos da Reforma



            No Brasil existem duas grandes Igrejas Luteranas: a IELB (Igreja Evangélica Luterana do Brasil) e a IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), que juntas somam quase milhão de fiéis. A diferença entre ambas está mais na origem das missões que vieram ao Brasil, a primeira é americana e a segunda alemã. Há alguns pontos de divergência, no geral a IELB é um tanto mais confessional ou fiel aos fundamentos da Reforma. A IECLB por ser uma missão alemã acabou tendo influencias do liberalismo no cristianismo europeu ocorridos no inicio do século XIX.
Embora a IELB, seja em números de fiéis menor, está presente em todos os Estados Brasileiros, inclusive aqui em Maceió, onde todos os luteranos oriundos de outras cidades são recebidos e acolhidos.



A Igreja Luterana (IELB) no Brasil



No início do século XX, a pedido de alguns cristãos luteranos, a Igreja Luterana - Sínodo de Missouri, dos Estados Unidos, enviou ao Brasil o pastor Christian J. Broders que fundou, no dia 1º de junho de 1900, a Comunidade Evangélica Luterana São João, em São Pedro, RS. Em 24 de junho de 1904, foi fundada, em São Pedro do Sul, RS, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil - IELB.
Hoje a IELB conta com mais de 800 pastores e aproximadamente 240 mil membros. Tem pastores missionários também na Europa, Américas e África.  No trabalho missionário conta com o apoio da “Hora Luterana”, que produz programas de rádio, material de aconselhamento e cursos bíblicos (www.horaluterana.org.br).
            A formação de todos os pastores da IELB tem duração de seis anos: Quatro anos de bacharel em Teologia em convênio com a Universidade Luterana do Brasil com sede em Canoas, RS, e em tempo integral, como especialização em ministério pastoral, no Seminário Concórdia de São Leopoldo, RS.
           
            A IELB se organiza de seguinte forma:
A Congregação é a comunidade local. Existem 1447 congregações em todo Brasil, todas tem uma diretoria que executa as decisões da Assembléia dos Membros Votantes;.
A Paróquia é a união de várias congregações, quando as mesmas têm o mesmo pastor. O número de paróquias é 508 no Brasil.

          O Distrito é a união de várias paróquias, geralmente formada de quatro a dez paróquias. Há um pastor que é eleito Conselheiro Distrital, com o mandato de 4 anos e um líder leigo, tendo ambos como função representar o Distrito e visitar as paróquias e eventualmente resolver conflitos para o bom andamento geral. Hoje existem 55 Distritos na IELB.  
A organização nacional da IELB se dá da seguinte forma:
Uma Diretoria Nacional é eleita por 4 anos pela Convenção Nacional, como um órgão executivo.
A Convenção Nacional realiza-se de quatro em quatro anos. Participam todos os pastores ativos (com chamado), sendo que somente um pastor e um representante leigo por paróquia têm direito a voto. Aqui são decididas questões administrativas da igreja.
O Conselho Diretor normalmente reúne-se uma vez por ano. É composto por todos os conselheiros distritais e os líderes leigos distritais. É um órgão executivo, no sentido que está subordinado a Convenção Nacional, entretanto tem poderes deliberativos em diversas situações.
            Dentro da IELB existem ainda organizações auxiliares, como a Juventude Evangélica Luterana do Brasil, a Liga de Servas Luteranas do Brasil e  a Liga de Leigos Luteranos do Brasil, além de 20 Associações de Entidades Sociais, instituições que trabalham especialmente com crianças, doentes, idosos e deficientes auditivos, 60 Escolas, 2 Faculdades e 1 Universidade. Possui ainda uma Editora, que produz literatura (livros, devocionários, Cds, etc.) e material evangelístico para a igreja .
           

A Igreja Luterana e Maceió















Em Maceió, a Igreja Luterana está presente há 30 anos através da Congregação “Cristo Redentor” localizada no centro. ainda atividades no bairro Acauã e Clima Bom, sempre sob o fundamento de levar o maior tesouro que temos em mãos para a maior necessidade humana: Perdão, reconciliação e salvação através da obra de Jesus.
O trabalho da Igreja Luterana na capital alagoana iniciou em Agosto de 1981, com a chegada do recém formado, Pastor João Carlos Tomm. Como característica muito significativa adotada pela IELB, o Pastor Tomm, que ficou 11 anos em Maceió, veio atender famílias que já eram membros da Igreja Luterana em outras cidades, família Simões oriunda de Recife e a Sra. Nair Gzrelak de São Paulo; além de ouvintes do extinto programa de rádio chamado “Hora Luterana, a voz da cruz”, que era transmitido pela Rádio Palmares - há um forte desejo em restabelecer este programa e atingir mais pessoas com a clara exposição do Evangelho.









O primeiro local de cultos (sede) da Igreja Luterana em Maceió  foi numa casa alugada na Rua Artur Jucá, 87 no Centro. O Pastor Tomm atendia famílias luteranas em Maceió, na Cerâmica Sacramento (Passo do Camaragibe) e até 1983 em Aracaju, dificuldade que somadas à falta de recursos financeiros e humanos, adaptação com a nova cultura, assaltos que sofreu, grande sincretismo religioso e analfabetismo, tornaram-se os maiores empecilhos desde o início da missão.
Com a saída deste Pastor em 1992, a igreja passou por uma sucessão de obreiros (Wando Wolf, Odil Sontag, Leandro Hübner), que permaneceram menos de 2 anos cada, por dificuldades de adaptação cultural, intercalados por períodos de vacância, o que enfraqueceu e muito o trabalho. Entre 1999 e 2005 o Pastor Waldyr Hoffmann pastoreou. A partir daí, após alguns meses de permanecia do Pastor Luis Cláudio Viana da Silva - devido problemas de saúde de sua esposa - o Pastor Márlon Hüther Antunes assumiu o trabalho e tem coordenado as atividades.
Assim como há 100 anos a missão no Brasil estava voltada a atender os descendentes alemães, em sua maioria no sul do Brasil, a grande maioria dos pastores tem descendência alemã e são oriundos do sul, onde está concentrada a maioria absoluta de luteranos. Este é perfil vem mudando nas últimas décadas, o lema da IELB favorece esta idéia: Cristo para todos. Em Alagoas há 30 anos o foco inicial foi atender luteranos que migraram para cá, todos os pastores eram do sul ou sudeste, o que dificultou ainda mais a missão. Hoje metade dos membros são alagoanos e a outra oriundos de outros estados. Nestes 30 anos, o período de maior crescimento ocorreu nos três períodos onde se estabeleceram por mais tempo os pastores, criando mais vínculos, raízes, aculturando-se melhor, facilitando assim, a continuidade de projetos evangelísticos e mais contatos.

Hoje existe em Maceió um pouco mais de uma centena de fiéis, que freqüentam os três locais de culto. As famílias luteranas estão espalhas nas mais diferentes regiões da cidade e pertencem as mais diferentes classes sociais e intelectuais - a maior concentração, porém, se dá no Bairro Tabuleiro dos Martins. Por ser uma igreja pequena, geograficamente espalhada, com apenas um obreiro e por ter como uma de suas características um trabalho e contato bem pessoal, pastoral e direto, a Igreja tem encontrado muitas dificuldades ao longo do tempo em fazer sua missão, tanto no campo evangelístico, como social. Porém, nunca perdeu este foco.










 Por ser uma Igreja tradicional e que não dá ênfase à apelação financeira e emocional - como as igrejas evangélicas no geral, são conhecidas e pré-julgadas atualmente - nos esforçamos ao máximo para manter nosso objetivo, afinal as únicas verbas que recebemos de fora são para pequenos projetos especiais. Os recursos para os desafios da Igreja, de caráter social e missionário, provêm das ofertas regulares e espontâneas que cada membro dá conforme suas possibilidades financeiras. Por isso, a Igreja Luterana não cobra pelos serviços que presta, como batismos, casamentos, sepultamentos, visitas aos doentes ou outros atendimentos pastorais.
O trabalho social desenvolvido atende especialmente necessidades internas (cesta-básica, medicamentos, etc), mas em momentos especiais o grupo de ação social da Igreja se une para agir (como no caso do atendimento às vítimas das enchentes em 2010), temos concluído um projeto de capelania hospitalar, sem local para desenvolvê-lo no momento – organizados pelo Pastor, uma Psicóloga e uma Assistente Social da Congregação. Entendemos que o ser humano é um indivíduo integral em todas as suas dimensões e peculiaridades de ordem bio-psicossocial e espiritual.
A Igreja Luterana não faz diferenciação entre as diversas etnias que se encontram na cidade, na região e no país, “porque para Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.11). Respeitamos a cultura e história de cada uma, temos como meta compartilhar com as pessoas a certeza da vida eterna em Jesus Cristo integrá-las como membros da família de Deus, fortalecê-las e equipá-las para servirem com suas vidas – tempo, dons e bens – a fim de glorificar a Deus.
Nas Congregações luteranas somos uma família, um grupo amigável, pessoas que descobriram a alegria da vida cristã. Procuramos ajudar-nos uns aos outros. Reunimo-nos para dividir as dificuldades e multiplicar as alegrias. Cremos que no culto Deus nos serve com sua Palavra, o Perdão, os Sacramentos (Batismo e Santa Ceia) e a Benção; nós servimos a Deus na adoração, no louvor, na oração de gratidão pelas bênçãos da semana, pela comunhão com os irmãos e convidados.A Igreja Luterana admite crianças e adultos ao Batismo. A regra é o Batismo de crianças. Além do mais oferece aconselhamento para casamentos em dificuldade, bem como a bênção divina para aqueles que fracassaram no casamento e querem estabelecer um novo relacionamento matrimonial.




Na Igreja Luterana ninguém é sobrecarregado com proibições, mas é livre para, à luz da Palavra de Deus, tomar suas decisões para que glorifiquem a Deus e beneficiem o próximo.
As principais atividades fixas são:
- Centro (Rua Emanoel Pedro  de Farias Costa, 4 – antiga Gazeta de Alagoas) Culto no 1º Domingo do mês as 9h e 2º, 3º,4º,5º  Sábado as 18h; 1ª sexta feira do mês, 19h encontro do grupo Masculino, estudos mensais em grupos familiares distribuídos por bairros e encontros com jovens nos domingos a tarde.
- Clima Bom (Rua Walter Gomes, 52C) Culto Domingo as 8h e Estudo bíblico Quarta-feira as 19h.
- Acauã no Bairro Acauã (Avenida Tancredo de A. Neves – Lot, Qd A – 01) Culto Domingo as 10h e Estudo bíblico Quinta-feira as 19h.























[ HISTÓRIA: ÍNDIOS: ALAGOAS] SILVA, Amaro Hélio Leite da. Grupo de Pesquisa Índios de Alagoas: cotidiano e etnohistória: anos produzindo e resistindo com os índios











Esta matéria foi publicada no tablóide Contexto do jornal Tribuna Independente, Maceió, na edição de  23  de Outubro de 2011


O grupo Índios de Alagoas: cotidiano e etnohistória surgiu no contexto de renovação dos estudos sobre os povos indígenas em Alagoas. Sob a coordenação do professor Luiz Sávio de Almeida, o grupo construiu uma trajetória consequente para aqueles que estudam e fazem pesquisa sobre a realidade indígena no Nordeste, sobretudo em nosso Estado. Essa trajetória se traduz no compromisso político com as causas dos índios e na parceria com pesquisadores e instituições acadêmicas diversas, tanto em nível local como nacional e internacional.
A questão indígena se renova no contexto da redemocratização,  anos oitenta. Os povos indígenas assumem visibilidade e isso  fortaleceu a luta pela terra e pelo reconhecimento étnico. Esse contexto  vem reforçar a  resistência desses povos. Em consequência apareceu  a necessidade da academia  e do movimento indígena rediscutirem o processo, o que levou a  se construir uma nova escrita da história indígena, inclusive, a alagoana. Clóvis Antunes, Vera Calheiros e Dirceu Lindoso aparecem como pioneiros na construção desse novo olhar. O primeiro destaca a importância da ação política dos índios, enquanto Vera Calheiros abre as portas para um novo encontro antropológico, enquanto Dirceu Lindoso tece uma etnografia do processo das matas.
Nos anos noventa, as pesquisas desenvolvidas pelos professores Sílvia Martins e Luiz Sávio de Almeida deram continuidade à retomada da questão indígena pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).  É neste momento que surge o grupo de pesquisa: Índios de Alagoas: cotidiano e etnohistória.
O grupo nasceu dentro a consolidação de grupos de pesquisa pelo CNPQ e teve o propósito de contribuir com o movimento indígena e, como consequência, procurou articular a Universidade à realidade vivenciada pelos índios através de inúmeras formas de atividade que visavam maior integração do universo acadêmico com o indígena. Para tanto, aconteceram projetos de pesquisa, grupos de estudos, seminários, debates e encontros que marcaram a trajetória acadêmica de muitos alunos de história e de ciências sociais, alguns encaminhados para a pós-graduação dentro deste campo de trabalho..

           Nesses tantos anos de história do grupo Índios de Alagoas, foram inúmeros estudos e pesquisas realizadas em quase todas as comunidades indígenas de Alagoas, além de seminários e cursos sobre os fundamentos de antropologia, sociologia, história e realidade alagoana. Como resultados dessas atividades tivemos, inclusive por iniciativa do Professor Sávio de Almeida, a criação da disciplina “Índios de Alagoas” no âmbito do Departamento de Ciências Sociais da UFAL, bem como a criação da Coleção Índios do Nordeste: temas e problemas, que já chegou a 13 livros publicados – contendo artigos, dissertações, teses e memórias –, inclusive com trabalhos produzidos pelos próprios índios. Tanto a diversidade dos temas quanto a formação e atuação desses autores fizeram-na um espaço democrático. É, também, um conjunto de trabalhos que não busca somente a excelência acadêmica, preocupando-se, fundamentalmente, com a luta dos povos indígenas. Este volume traz autores que dão continuidade a este propósito.

Coleção Índios do Nordeste: refletindo com os índios

A Coleção Índios do Nordeste se tornou o principal meio de publicação das pesquisas realizadas sobre os índios em Alagoas, além de ser um canal aberto para publicação de trabalhos produzidos no Nordeste e em outras regiões, inclusive fora do país. Já são mais de doze anos produzindo sistematicamente sobre os índios nordestinos, em especial, os alagoanos. Durante esse período, esta coletânea não se constituiu apenas um espaço de reflexão, ela se transformou num instrumento político dos povos indígenas de Alagoas. A partir do 5º volume, a Coleção se especializou em Alagoas.  Já são quatro livros da coleção que tratam especificamente sobre os nossos índios.
O 5º volume “Vai-te pra onde não canta galo, nem boi urra...” Diagnóstico, Tratamento e Cura entre os Kariri-Xiocó é de autoria de Cristiano Barros Marinho da Silva. Nele, o autor fala da noção de doença e cura para os Kariri-Xocó, povo indígena localizado no baixo São Francisco. O 6º volume Xucuru-Kariri: Saúde na fazenda Canto é uma coletânea organizada pelos professores Luiz Sávio de Almeida, Rosana Vilela e Francisco Passos. São trabalhos produzidos por professores e estudantes de medicina, odontologia,  nutrição da UFAL, história, ciências sociais sobre a saúde do povo Xucuru-Kariri de Palmeira dos Índios, Fazenda Canto. . Esse volume é fruto da parceria entre os grupos Índios de Alagoas: cotidiano e etno-história e Grupo de Estudos de Saúde em População de Baixa Renda.
A Serra dos Perigosos: guerrilha e índio no sertão de Alagoas (7º volume) é resultado da dissertação de sociologia de Amaro Hélio Leite da Silva, orientando do Professor Luiz Sávio de Almeida. Tomando como base a relação classe-etnia, o autor mostra como foi possível o encontro entre o grupo revolucionário da Ação Popular (AP) e os índios Geripankó, do alto sertão de Alagoas, no contexto ditatorial dos anos 60.
Os Filhos de Jurema na Floresta dos Espíritos (9º volume) de Clarice Novaes da Mota é um trabalho sobre os índios do baixo São Francisco e trata-se de  pesquisa pioneira sobre o uso da jurema entre os índios Xocó de Sergipe  e Kariri-Xocó de Alagoas. O texto chama atenção para as práticas médicas utilizadas por essas comunidades e a condição de atividades xamânicas..
Os demais volumes da Coleção são partilhados por inúmeros autores, inclusive do estrangeiro. Temas como etnia, política, história, cotidiano, terra e poder reafirmam o compromisso da coleção com a indissociabilidade entre teoria e política. Há uma diversidade de autores e instituições que contribuíram para a formação da Coleção que jamais deixou de considerar aquilo que para nós continua sendo o maior problema indígena: a luta pela terra e pela afirmação étnica. Entendemos que se não levarmos em conta estes elementos, qualquer compreensão sobre a história dos índios de Alagoas fica incompleta.

Os novos lançamentos da Coleção
Índios de Alagoas: memória, educação, sociedade (volume 12)
Os trabalhos desta coletânea nasceram da Mesa Redonda Índios de Alagoas, ocorrida na IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas, organizada pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (EDUFAL), com exceção dos textos dos professores José Ivanilson da Silva Barbalho e Rogério Rodrigues dos Santos. Desses estudos, dois deles se dedicam aos povos Xucuru-Kariri, é o caso dos textos de Gilberto Ferreira e Rogério Rodrigues sobre “as lembranças de Antonio Selestino, Pajé Xucuru-Kariri”; e de Aldemir Barros sobre “o cotidiano dos índios aldeados”. Um deles, o de Jorge Vieira e João Daniel Batista Maia, trabalha o papel dos meios de comunicação impressa sobre a diversidade cultural do povo indígena Koiupanká. O estudo de José Ivamilson Silva Barbalho passa, fundamentalmente, pela pesquisa sobre a educação indígena, destacando-se o lugar da escola para os povos indígenas do Brasil. Já o estudo de Ivan Farias Soares, trata da etnohistória e etnicidade dos índios Geripankó.
Doenças, dramas e narrativas entre os índios Jeripankó no sertão de Alagoas (volume 13)
                                                         josehelenoindigenista.blogspot.com
Geripanko

Ivan Soares Farias é o responsável pelo 13º livro da Coleção Índios do Nordeste. O título é Doenças, dramas e narrativas entre os índios Geripankó no sertão de Alagoas e, evidentemente, trata da etnia e da saúde daquele grupo indígena.


Os parceiros de trabalho e  reflexão
Tanto a história do Grupo Índios de Alagoas quanto da Coleção Índios do nordeste foram construídas, em parte, através de parcerias e apoios imprescindíveis. Foram muitos os pesquisadores e instituições que contribuíram para o fortalecimento do nosso grupo.
Na Universidade Federal de Alagoas podemos destacar a EDUFAL,  o Grupo de Estudos de Saúde em população Marginal e Baixa Renda,. A EDUFAL  tem sido fundamental para a publicação de textos e fortalecimento da causa indígena em nosso Estado.  Um grande número de universidades brasileiras colaboraram com a nossa Coleção, bem como instituições internacionais de países como Nova Zelândia, Estados Unidos, Austrália, Holanda, Espanha, Peru.
No Instituto Federal de Alagoas (IFAL) destacamos as nossas relações com o Grupo de Estudo Memória e Etnohistória de Alagoas (GEMTEH). É importante destacar também a parceria construída com o Jornal Tribuna Independente, CONTEXTO, que publicará vários trabalhos sobre os índios de Alagoas. E, finalmente, o grupo Agenda Alagoas, formado por diversos grupos de pesquisa e organizações da sociedade civil, que desde o final de 2009 tem realizado diversas atividades sobre a realidade alagoana, especialmente sobre as comunidades étnicas e periféricas do nosso Estado.
Sem dúvida, não é fácil manter uma produção sistemática durante tantos anos. Apesar das dificuldades de um Estado carente em ensino e pesquisa, o grupo Índios de Alagoas persiste produzindo e contribuindo com as causas dos povos indígenas.  As parcerias e apoios foram importantes para a construção dessa trajetória.





[HISTÓRIA: ÍNDIOS:ALAGOAS] ALMEIDA, Luiz Sávio de. Um livro e os índios





Esta matéria foi publicada no tablóide Contexto do jornal Tribuna Independente, Maceió, na edição de  23  de Outubro de 2011






A trajetória de vida do autor revela os índios no centro de suas preocupações. Ele tem formação antropológica e jurídica desenvolvida em razão de seu envolvimento com a questão indígena de nosso país. Ele não escreve por escrever, o faz pelo comprometimento pessoal com a causa indígena surgido desde os tempos de estudante de ciências sociais na Universidade Federal Fluminense, após ter deixado o curso de engenharia civil e escolhido trilhar os caminhos certamente reveladores da antropologia.

Após terminar o curso de ciências sociais, foi estudar cinema visando a produção de filmes etnográficos. Deixou o curso para assumir prematuramente a posição de antropólogo da área indígena Yanomami pela Fundação Nacional de Saúde no estado de Roraima, quando, possivelmente, este livro começa a ser esboçado. Tomado pela primeira experiência frente à dura realidade de vida e sobrevivência dos índios no Brasil, resolve aprofundar seus conhecimentos na matéria realizando o Mestrado em Antropologia Social na UNICAMP; razão pela qual costuma dizer que foram os índios que escolheram seu trajeto profissional e o fizeram antropólogo, apesar do título que lhe conferiu a Academia.

Submete-se a concurso novamente, como fizera para trabalhar com os Yanomami na FUNASA, desta feita para o Ministério Público Federal, tornando-se Analista Pericial em Antropologia, vindo para Alagoas após um período no Norte do país. A esta altura acumulara novas experiências junto a outras etnias indígenas, fossem com os grupos do serrado de Roraima, os Macuxi e os Wapishana da famosa Raposa Serra do sol, fossem com os Guarani-Mbyá da cidade de Paraty no Rio de Janeiro.

Em Alagoas, travou contato com uma etnicidade indígena desafiadora, no exato sentido de não guardar sinais aparentes da imagem do bom selvagem tão difundida no nosso imaginário, ao contrário daquela amazônica. Aqui, teve seu trabalho no MPF finalmente reconhecido, viajando o Nordeste indígena em apoio aos procuradores da República da região. Resolveu estudar Direito, graduou-se na UFAL e hoje se dedica ao magistério superior nas áreas da Antropologia e Direito. Escreve ensaios e operacionaliza suas atividades junto ao Ministério Público Federal, sendo também membro do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Direito, Sociedade e Violência do Centro Universitário CESMAC.

Foi esboçada toda uma carreira voltada para os índios no que concerne à pesquisa, aos serviços públicos e à política. Ivan é um intelectual público, no sentido de que dialoga com seu povo, e engajado, no sentido de que faz do pensamento instrumento de ação inclusiva, assumindo e mantendo posições corajosas e firmes. É por tais posições que saiu do Norte e veio para Alagoas a convite de Delson Lira que o desejou a seu lado no Ministério Público Federal. Este é o primeiro livro que publica, assumindo sua antiga preocupação com a questão da saúde e dedicando-se ao estudo dos Jeripankó, um povo encravado na região do sertão alagoano e de derivação Pankararu.

É com honra que a Coleção Índios do Nordeste abriga o texto. Trata-se do quarto volume de autor individual e o terceiro diretamente ligado à área da saúde. Dois desses livros são de caráter fundamentalmente antropológico e o terceiro é um diagnóstico de saúde do povo Xucuru-Kariri da Fazenda Canto em Palmeira dos Índios. Os dois outros trabalhos foram realizados sobre os Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, margem sanfranciscana de Alagoas, escritos por Clarice Novaes da Mota e Christiano Barros Marinho da Silva. Por outro lado, é o segundo volume lançado sobre os Jeripankó, com o primeiro tendo sido da autoria de Amaro Hélio Leite da Silva.

Era alta a realização de pesquisa sobre a saúde dos índios de Alagoas na UFAL, especialmente pela junção do Grupo Índios de Alagoas: cotidiano e etnohistória e o Grupo de Estudo de Saúde em população Marginal de Baixa Renda. Dessa união foram gerados inúmeros trabalhos junto ao então Departamento de Clínica Médica do curso de Medicina, como dissertação de mestrado, trabalhos de conclusão de curso, textos produzidos para encontros científicos e publicações. Atualmente, há produção em desenvolvimento na área de nutrição, centrada, sobretudo, em segurança alimentar.

O professor Ivan Farias publica uma etnografia onde o processo saúde/doença é discutido em duas vertentes principais, sendo uma delas relativa à prestação dos serviços de saúde aos Jeripankó e a outra, mais propriamente envolvida com o universo cultural, trabalha as representações construídas ao longo da história do grupo com relação a saúde e a doença e as interliga ao universo da produção, caracteristicamente levado a proletarização; mas ambas as vertentes, dispostas a influenciar as ações oficiais de assistência de saúde destinada ao grupo e seus aparentados pela incorporação de suas noções tradicionais.

Na verdade, a contribuição vai além dos índios Jeripankó, sendo possível pensar em um ensaio sobre a totalidade de nossos índios sertanejos e um recorte básico sobre um índio alagoano. É mais um trabalho seminal para Alagoas em que soma a sua disposição de participar politicamente à de discutir cientificamente. Sua contribuição é grande e ajuda a solidificar a nossa Coleção e a linha editorial da Universidade Federal de Alagoas.

[HISTÓRIA:ALAGOAS: ÍNDIO] Luiz Sávio de Almeida, Amaro Hélio da Silva e Gilberto Geraldo Ferreira, Mais um diálogo com os índios







Esta matéria foi publicada no tablóide Contexto do jornal Tribuna Independente, Maceió, na edição de  23  de Outubro de 2011


Um pequeno bilhete sobre uma

coleção
 de livros sobre índios



Trataremos da  Coleção Índios do Nordeste: Temas e Problemas. Contexto traz uma informação sobre a coleção e a história do Grupo Índios de Alagoas: cotidiano e etnohistória.   Um dos volumes publicados traz trabalho de autoria de Ivan Soares Farias; o outro é uma coletânea de textos sobre índios de Alagoas, organizada por Luiz Sávio de Almeida,  Amaro Hélio  Leite da Silva e Gilberto Geraldo Ferreira.
        A coletânea intitula-se Índios de Alagoas: memória, educação, sociedade, trazendo estudos escritos por Rogério Rodrigues dos Santos, Gilberto Geraldo Ferreira, Ivan Soares Farias, José Ivanilson Silva Barbalho,  Audenir Barros da Silva Júnior,  João Daniel Batista Maia e Jorge Luiz Gonzaga Vieira.
      O livro do Professor  Ivan Soares Farias intitula-se Doenças, Dramas e Narrativas entre os índios Jeripanko no sertão de Alagoas.
     No próximo dia 29 do corrente, o  Grupo mencionado estará realizando uma Mesa Redonda intitulada Índios de Alagoas: cotidiano e economia. 
    O Grupo Índios de Alagoas: cotidiano e etnohistória é um dos principais parceiros de Contexto. 
    Vale a pena tomar conhecimento da sua produção.  Compareça ao lançamento (dia 23 de outubro) e à Mesa Redonda intitulada Índios de Alagoas: cotidiano e economia (dia 29 de outubro) para ter uma visão da questão indígena em Alagoas.
                                         Luiz Sávio de Almeida




Mais um diálogo com os índios
Luiz Sávio de Almeida, Amaro Hélio da Silva e Gilberto Geraldo Ferreira


          Desde a primeira publicação, em 1999, a coletânea Índios do Nordeste: temas e problemas vem reafirmando o seu compromisso com uma nova visão sobre a história indígena na região. Independente da diversidade teórica e metodológica presente nos textos, os livros contribuíram tanto para retomada da questão indígena na vida acadêmica, quanto para ajudar a subsidiar o movimento de resistência étnica dos povos indígenas, especialmente em Alagoas.
Os trabalhos desta coletânea nasceram da Mesa Redonda Índios de Alagoas, ocorrida na IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas, organizada pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (EDUFAL), com exceção dos textos dos professores José Ivamilson da Silva Barbalho e Rogério Rodrigues dos Santos. Foram muitos autores – nacionais e estrangeiros – que escreveram sobre os índios na Coleção. Tanto a diversidade dos temas quanto a formação e atuação desses autores fizeram-na um espaço democrático. É, também, um conjunto de trabalhos que não busca somente a excelência acadêmica, preocupando-se, fundamentalmente, com a luta dos povos indígenas. Este volume traz autores que dão continuidade a este propósito coim todos eles fazendo parte do grupo Índios de Alagoas: cotidiano e etno-história.
Gilberto Ferreira é formado em História e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Ele é membro do grupo de estudos Índios de Alagoas: cotidiano e etno-história, do Centro de Pesquisa e Documentação Maninha Xucuru-Kariri, do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Direito, Sociedade e Violência do Centro Universitário-CESMAC. Atualmente, é professor da rede municipal e rede estadual, lecionando a disciplina de história; e também professor do Curso de História do CESMAC Centro Universitário.
           Ivan Soares Farias é formado em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Fez mestrado em Antropologia Social pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Desde 1998, é antropólogo do Ministério Público Federal. É também professor de Introdução ao Direito e de Sociologia Jurídica do Centro de Estudos Superiores de Maceió (CESMAC), fazendo parte do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Direito, Sociedade e Violência da mesma instituição. 
         José Ivamilson da Silva Barbalho possui graduação e especialização em História pela Faculdade de Formação de Professores de Garanhuns-PE. É mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco, onde também faz o doutorado em educação. É professor da Universidade Federal de Alagoas (campus Delmiro Gouveia), da Escola Estadual Egídio Barbosa-PE e da Faculdade Católica São Tomás de Aquino-PE, atuando principalmente nas áreas de História, Antropologia Cultural, e Filosofia da Educação.
Rogério Rodrigues dos Santos possui graduação e especialização em História. Atualmente, é professor da rede estadual de ensino e da rede municipal de Messias, atuando principalmente na área de história.  É membro do grupo Índios de Alagoas: cotidiano e etno-história.
Aldemir Barros da Silva Júnior é doutorando em História Social do Brasil pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). É professor da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), atuando, principalmente, na área de história regional. 
Jorge Luiz Gonzaga Vieira é bacharel em comunicação social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Tem mestrado em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). É membro do Conselho Indigenista Missionário de Alagoas (CIMI) desde 1986. É professor do Centro de Ensino Superior de Maceió (CESMAC), atuando principalmente nas áreas de comunicação social, antropologia e política.
João Daniel Batista Maia é aluno de jornalismo do CESMAC. Foi membro do grupo de pesquisa A Prática do Jornalismo em Alagoas e a Diversidade Cultural: Monoculturalismo e Etnogênese Koiupanká. Atualmente, atua como estagiário na assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento de Alagoas (SEPLAN-AL) e integra o Núcleo de Pesquisa em Antropologia e Comunicação do CESMAC.
Desses estudos, dois deles se dedicam aos povos Xucuru-Kariri, é o caso dos textos de Gilberto Ferreira e Rogério Rodrigues sobre “as lembranças de Antonio Selestino, Pajé Xucuru-Kariri”; e de Aldemir Barros sobre “o cotidiano dos índios aldeados” .
Comenta Rodrigues: “Antonio Selestino relata sua trajetória que envolve a história do povo Xucuru-Kariri, ao qual pertence. Aborda a luta que permanece até os dias atuais como estratégia de garantir a memória e a cultura, bem como, a sobrevivência dos povos indígenas (FERREIRA; RODRIGUES)”
Barros por sua vez escreve: “O cotidiano é lugar de visita obrigatória para se entender a interação do espaço aldeia com o espaço Posto Indígena. Ressalta-se que são espaços construídos e sobrepostos. A Fazenda Canto representa a aldeia possível para os Xucuru-Kariri no contexto do SPI. O cotidiano revela o lugar onde acontece o encadeamento desta interação, permitindo observar o caminho percorrido pelo grupo para construir a aldeia Fazenda Canto (BARROS).”
O de Jorge Vieira e João Daniel Batista Maia  trabalha o papel dos meios de comunicação impressa sobre a diversidade cultural do povo indígena Koiupanká: “O presente trabalho tem como objetivo identificar e analisar o processo de resistência Koiupanká na convivência com a sociedade sertaneja, a sua afirmação étnica e a luta pela conquista da terra, educação, saúde e projetos de desenvolvimento econômico, considerando as transformações políticas da emergência étnica. Neste contexto, avalia-se o papel da comunicação impressa em Alagoas na veiculação de informações sobre as culturas diversas, especificamente a do povo indígena Kouipanká e a luta por seus direitos (VIEIRA; MAIA).”
O estudo de José Ivamilson Silva Barbalho passa, fundamentalmente, pela pesquisa sobre a educação indígena, destacando-se o lugar da escola para os povos indígenas do Brasil: “Em primeiro lugar, procuramos destacar, sob quais situações se estabeleceu a cruzada catequética jesuítica, refletindo particularmente sobre a concepção ou ideia de educação e escola perspectivada pelo projeto missionário. Em seguida, discute-se o projeto de integração indígena enquanto montagem da política indigenista do período republicano, analisando quais tarefas seriam cobradas ao sistema escolar, na organização dos programas educacionais para o índio, enquanto frente de assimilação e contato. Por fim, nos detemos na análise dos desdobramentos da educação escolar indígena e suas múltiplas configurações de interesses, a partir das demandas advindas do processo pós-constitucional de 1988.”
Já o estudo de Ivan Farias Soares, trata da etnohistória e etnicidade dos índios Jeripankó:  “Podemos afirmar que o registro memorialístico de violências e fugas, fonte de diferentes narrativas de domínio comum, se constitui elemento essencial da identidade Jeripankó. São as histórias da expulsão da terra, seja pela posse direta, seja pela ocupação do gado, ou mesmo das invasões da aldeia, que constituem a reinvenção identitária dos Jeripankó (SOARES)”.
            Como se pode notar, Alagoas tornou-se um campo fértil para os estudos e pesquisas sobre os povos indígenas, o que acontece pela relação existente entre política e academia. Nos próximos números, a Coleção continuará discutindo e propondo sobre a vida nordestina, tomando o índio como uma figura política essencial.